Irã propõe transferir urânio enriquecido para a Rússia em nova oferta

TimeCras
Roberto Farias
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Documento revisado por Teerã, revelado pela Al Hadath, sinaliza flexibilidade em meio às negociações nucleares com os EUA, mas mantém exigências sobre soberania e programa civil.


Data: 18 de maio de 2026

Nova proposta iraniana

Em mais um capítulo das delicadas negociações para estabilizar o programa nuclear iraniano após os confrontos recentes, o Irã manifestou disposição para transferir suas reservas de urânio enriquecido para a Rússia, em vez de entregá-las aos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo canal árabe Al Hadath, com base em um documento revisado apresentado por Teerã como base para um possível acordo com Washington.

De acordo com o texto citado, a República Islâmica estaria pronta para realizar a transferência “sob certas condições”, embora detalhes específicos sobre essas exigências não tenham sido tornados públicos. A proposta representa uma tentativa iraniana de contornar a exigência americana de custódia direta do material, considerado um dos principais pontos de impasse nas conversas indiretas mediadas por terceiros.

Contexto de uma disputa estratégica

O estoque iraniano de urânio enriquecido a cerca de 60% — nível próximo ao grau armamentista — é estimado em centenas de quilos e está no centro das preocupações de Washington e Tel Aviv. Os Estados Unidos insistem na remoção completa ou forte limitação desse material do território iraniano como condição para aliviar sanções e evitar novas escaladas militares. Teerã, por sua vez, defende o direito ao enriquecimento pacífico e resiste a entregas que possam comprometer sua soberania tecnológica.

A Rússia, aliada próxima do Irã, já havia colocado uma proposta semelhante “sobre a mesa” desde abril. O Kremlin se ofereceu para receber o urânio, convertê-lo em combustível para reatores civis ou armazená-lo em território russo, seguindo precedentes de cooperação nuclear bilateral. Moscou vê nisso uma forma de contribuir para a desescalada sem que o material caia sob controle direto americano.

Outros pontos da proposta iraniana

Além da transferência para a Rússia, o documento revisado sugere:

  • Congelamento de longo prazo do programa de enriquecimento, em vez de desmantelamento total;
  • Separação clara entre as questões nucleares e outros temas de segurança regional, como a navegação no Estreito de Ormuz.

Esses elementos indicam que Teerã busca preservar parte de sua capacidade nuclear civil enquanto oferece concessões suficientes para avançar nas negociações. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sob liderança de Rafael Grossi, acompanha de perto as discussões e já dialogou com russos e americanos sobre possíveis mecanismos de verificação e remoção.

Reações e desafios

Até o momento, não há posicionamento oficial imediato de Moscou ou Washington sobre a nova versão do documento. Fontes diplomáticas indicam que a administração Trump continua priorizando garantias robustas de que o urânio não permaneça sob controle iraniano, rejeitando anteriormente propostas semelhantes que envolvessem terceiros como a Rússia.

Analistas observam que uma eventual transferência para território russo exigiria protocolos rigorosos de monitoramento internacional, coordenação logística complexa e confiança mútua entre as partes — algo ainda escasso no atual cenário geopolítico.

A proposta surge em um momento de relativa fragilidade para o Irã após os confrontos armados com Israel e os EUA, mas também reflete a habilidade iraniana de usar seus parceiros estratégicos (Rússia e China) para equilibrar pressões ocidentais.


Ultimas Atualizações: 19/05/2026 - 00:06

Fontes diplomáticas e reportagens recentes indicam que o governo Trump considera inaceitável qualquer acordo que permita ao material altamente enriquecido (cerca de 60%, próximo ao nível armamentista) ficar sob influência russa. A posição oficial dos EUA é que o estoque iraniano precisa ser “assegurado” de forma confiável — preferencialmente removido para os Estados Unidos ou para um terceiro país que Washington considere seguro.

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