Possível ação dos EUA em Cuba mira diretamente na influência russa e chinesa no Caribe

TimeCras
Roberto Farias
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 Imagem Ilustrativa

Washington/Havana, 27 de maio de 2026 – Em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Cuba, analistas e fontes diplomáticas apontam que uma eventual intervenção militar ou operação de mudança de regime em Cuba tem como objetivo estratégico claro: reduzir ou eliminar a presença e influência de Rússia e China no quintal dos Estados Unidos.

O presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio têm intensificado a pressão sobre Havana com sanções mais duras, indiciamento do ex-presidente Raúl Castro e forte retórica sobre uma possível “tomada” da ilha. Embora Trump tenha sinalizado que prefere uma solução sem escalada militar direta, o Pentágono já posicionou ativos navais significativos no Caribe, suficientes para uma ação rápida caso a ordem seja dada.

O elo com Rússia e China
Cuba abriga há anos instalações de inteligência russa e tem ampliado cooperação militar com Moscou e Pequim. Relatórios indicam que a ilha recebeu drones avançados da Rússia e Irã, além de manter laços que permitem à Rússia projetar poder no hemisfério ocidental.

Para Washington, o regime cubano não é apenas um resquício comunista, mas uma plataforma avançada de adversários estratégicos a menos de 150 km da Flórida. Marco Rubio, em reunião de gabinete, descreveu Cuba como um “estado falido” e ameaça à segurança nacional americana, destacando a influência estrangeira e a crise interna profunda (apagões, escassez de combustível e pobreza extrema).

A estratégia de “pressão máxima” — que inclui bloqueio de suprimentos de petróleo — visa acelerar o colapso econômico do regime, enfraquecendo simultaneamente os parceiros russos e chineses na região.

Contexto e riscos
Especialistas em geopolítica veem paralelos com a recente intervenção na Venezuela: enfraquecer aliados da Rússia e China no continente americano, reforçando a Doutrina Monroe atualizada de Trump. Moscou já respondeu prometendo “apoio ativo” a Cuba, incluindo possíveis envios de combustível, o que eleva o tom do confronto.

Cuba vive sua pior crise em décadas, agravada após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela, que cortou o fluxo de petróleo subsidiado. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel alertou para um possível “banho de sangue” em caso de invasão e afirmou que o país se prepara para se defender.

Críticos da política de Trump argumentam que as acusações contra Cuba servem como pretexto para justificar uma ação militar, enquanto apoiadores veem oportunidade histórica de encerrar um regime comunista de 67 anos e remover ameaças de segurança próximas ao território americano.

Até o momento, não há confirmação de uma invasão iminente em larga escala. Trump tem alternado entre ameaças diretas e sinais de que o regime “está pronto para cair” por pressão interna e econômica. No entanto, a movimentação militar americana mantém viva a possibilidade de uma operação pontual — como captura de líderes ou ataques precisos —, com o claro objetivo de cortar as amarras que permitem a Rússia e a China atuarem tão perto dos EUA.

A situação segue fluida e pode definir o próximo capítulo da política externa de Trump no hemisfério.


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