Empresário Henrique Vorcaro foi detido preventivamente em Nova Lima (MG) por suposta participação em núcleo de intimidação e ocultação de bens no esquema do Banco Master.
Belo Horizonte, 14 de maio de 2026 — A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a sexta fase da Operação Compliance Zero e cumpriu mandado de prisão preventiva contra o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como alvo o chamado “núcleo violento” ou grupo conhecido como “A Turma”, responsável por ameaças, coerção, obtenção de informações sigilosas e proteção ao esquema financeiro.
A prisão ocorreu na região de Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. Ao todo, a operação cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os alvos estão um agente da Polícia Federal, uma delegada afastada e um agente aposentado, o que reforça as suspeitas de infiltração em órgãos de segurança e justiça.
Papel atribuído a Henrique Vorcaro
Segundo as investigações, Henrique Vorcaro integraria o núcleo responsável por dar continuidade às ações de intimidação mesmo após as prisões anteriores de seu filho. A PF apura que ele teria atuado na ocultação de patrimônio, em movimentações financeiras suspeitas e na coordenação de pagamentos a integrantes do grupo “A Turma”.
Os investigadores apontam que o empresário seria beneficiário de parte dos recursos desviados e teria ajudado a esconder cerca de R$ 2,2 bilhões em uma conta vinculada a ele, conforme apurações anteriores da operação. A medida desta quinta-feira busca interromper o que a PF classifica como uma organização criminosa estruturada para obstruir a Justiça e proteger o patrimônio ilícito.
Contexto do caso Banco Master
A Operação Compliance Zero, iniciada em 2025, investiga um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos no Brasil. O Banco Master, sob comando de Daniel Vorcaro, teria emitido títulos de crédito sem lastro adequado, atraído centenas de milhares de investidores com rendimentos acima do mercado e causado prejuízos bilionários. O Banco Central interveio e decretou a liquidação da instituição.
Daniel Vorcaro já foi preso em fases anteriores, inclusive em março de 2026, por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e invasão de dispositivos. As investigações revelaram ainda suspeitas de corrupção de agentes públicos e acesso indevido a sistemas da PF, Ministério Público e órgãos internacionais.
A sexta fase reforça o entendimento de que o esquema não se limitava à esfera financeira, mas contava com uma estrutura paralela de proteção e intimidação.
Impactos e próximos passos
A prisão de Henrique Vorcaro aumenta a pressão sobre Daniel Vorcaro, que segue detido e negocia uma possível delação premiada. A Justiça busca recuperar ativos para ressarcir os investidores lesados. Até o momento, foram bloqueados bilhões em bens, mas o rombo estimado ainda é objeto de perícias complexas.
A defesa de Henrique Vorcaro ainda não se manifestou publicamente. A operação segue em andamento.
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