Malé, Maldivas – 18 de maio de 2026
Um mergulho técnico em cavernas submarinas, planejado por experientes pesquisadores e mergulhadores italianos, terminou na maior tragédia da história do mergulho nas Maldivas. Os cinco italianos não retornaram à superfície. A operação de resgate, de alto risco, cobrou uma sexta vítima: um sargento das Forças de Defesa Nacional do arquipélago. Nesta segunda-feira (18), as autoridades confirmaram a recuperação de todos os corpos, encerrando uma busca dramática que mobilizou recursos locais e internacionais.
O acidente
O acidente ocorreu na manhã de 14 de maio, no Atol de Vaavu, próximo à ilha de Alimathaa, em um sistema de cavernas e túneis submarinos conhecido por sua complexidade. O grupo desceu a aproximadamente 50 a 60 metros de profundidade — bem além dos limites do mergulho recreativo — a bordo do iate de luxo Duke of York. Eles integravam uma expedição científica ligada à Universidade de Gênova, com foco no monitoramento de recifes e dos impactos das mudanças climáticas na biodiversidade marinha.
As vítimas e o perfil do grupo
As vítimas eram mergulhadores qualificados, com formação acadêmica e experiência:
- Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia Marinha na Universidade de Gênova e sobrevivente do tsunami de 2004 no Oceano Índico.
- Giorgia Sommacal, filha de Monica, estudante de engenharia biomédica.
- Muriel Oddenino, pesquisadora.
- Federico Gualtieri, biólogo marinho recém-graduado.
- Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho experiente e gerente de operações do iate, de Pádua.
Uma sexta mergulhadora, que faria parte do grupo, desistiu de última hora e permaneceu a bordo, tornando-se a única sobrevivente direta da equipe. Outros 20 italianos que estavam no iate estão ilesos e recebem apoio consular.
Operação de resgate
O corpo de Gianluca Benedetti foi o primeiro recuperado. Os demais ficaram presos no interior das cavernas até esta segunda-feira.
As buscas começaram imediatamente, mas enfrentaram correntes fortes, visibilidade reduzida e a própria complexidade do local — um labirinto subaquático onde o silt out (nuvem de sedimentos) pode desorientar rapidamente. No dia 16 de maio, o sargento-mor Mohamed Mahudhee, mergulhador experiente das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, sofreu doença descompressiva após uma subida de emergência. Ele foi levado ao hospital em estado grave e não resistiu.
A morte do militar, amplamente respeitado, chocou o país e levou à suspensão temporária das operações. Especialistas finlandeses em mergulho em cavernas, ligados à Divers Alert Network (DAN), chegaram para auxiliar na estratégia de recuperação, trazendo expertise técnica de alto nível.
Nesta segunda-feira, 18 de maio, os corpos dos quatro italianos restantes foram localizados e resgatados em uma operação conjunta da Guarda Costeira maldiva, polícia local e equipe especializada indicada pela Itália.
Investigação em curso e medidas adotadas
Como medida preventiva, o Ministério do Turismo das Maldivas suspendeu indefinidamente a licença de operação do Duke of York, um luxuoso liveaboard de 36 metros. O caso reacende o debate sobre os limites da segurança no mergulho técnico em destinos turísticos como as Maldivas, conhecidas por suas águas cristalinas, mas também por correntes imprevisíveis e sítios de mergulho desafiadores.
Um alerta para o mergulho técnico
Especialistas destacam que, mesmo para profissionais, o mergulho em caverna exige treinamento específico, equipamentos redundantes e condições ideais. O acidente de Vaavu serve como lembrete dos riscos inerentes a esse tipo de atividade, especialmente quando combinada com pesquisa científica em ambientes extremos.
As famílias das vítimas foram notificadas e o repatriamento dos corpos deve ocorrer nos próximos dias. Na Itália, a Universidade de Gênova e a comunidade científica lamentam a perda de pesquisadores dedicados à preservação marinha — um trabalho que, ironicamente, agora termina em uma tragédia nas mesmas águas que estudavam.
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