Seul, Coreia do Sul – Em um marco histórico para o bem-estar animal e a transformação cultural do país, a Coreia do Sul caminha de forma acelerada para extinguir a indústria de carne de cachorro. A lei aprovada em janeiro de 2024, que proíbe a criação, abate, distribuição e venda de cães para consumo humano, entrará plenamente em vigor em fevereiro de 2027, após um período de transição que já mostra resultados expressivos.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais (MAFRA), divulgados no final de 2025, cerca de 78% das fazendas registradas (1.204 de um total de 1.537) já encerraram suas operações. Muitas propriedades optaram pelo fechamento antecipado, superando as expectativas do governo para o cronograma de transição.
A legislação, aprovada por unanimidade na Assembleia Nacional, não criminaliza o ato individual de consumir carne de cachorro, mas torna ilegal toda a cadeia produtiva — desde a criação até a comercialização. As penalidades são rigorosas: até três anos de prisão ou multas que podem chegar a cerca de 30 milhões de wons (aproximadamente R$ 120 mil). O governo oferece apoio financeiro e programas de reconversão profissional para criadores, abatedores e donos de restaurantes, reconhecendo o impacto econômico em um setor que, embora em declínio, ainda empregava milhares de pessoas.
Essa evolução reflete transformações mais amplas na sociedade sul-coreana: urbanização acelerada, influência ocidental, maior consciência sobre direitos animais e o fortalecimento do movimento pet, que transformou o país em um dos maiores mercados de produtos para animais de estimação da Ásia.
Especialistas avaliam a lei como um modelo de política pública equilibrada: combina proibição com apoio aos afetados, evitando rupturas abruptas. “É uma vitória para o bem-estar animal, mas também para a imagem moderna da Coreia do Sul no cenário internacional”, avalia ativistas consultados por veículos internacionais.
Com a data de 2027 se aproximando, o país se prepara para virar uma página de sua história. Para milhões de cães que anualmente eram destinados ao abate, o fim de uma indústria centenária pode significar, finalmente, o direito a uma vida digna.
.jpg)

Não deixe de comentar, sua opinião faz a diferença aqui no Timecras!