Bagdá – 18 de maio de 2026
Em uma operação de alto sigilo que expõe as complexas dinâmicas geopolíticas do Oriente Médio, Israel estabeleceu e manteve duas bases militares covert no deserto ocidental do Iraque para apoiar sua campanha contra o Irã. As instalações, reveladas por investigações jornalísticas americanas, funcionaram por mais de um ano em território de um país que não mantém relações diplomáticas com o Estado israelense, gerando forte controvérsia sobre soberania e consentimento.
A primeira base
A primeira base foi amplamente detalhada pelo Wall Street Journal em 9 de maio de 2026. Construída pouco antes do início dos confrontos em fevereiro de 2026, a instalação localizava-se em uma área remota do deserto iraquiano (provavelmente na região de Anbar ou próximo a Najaf). Ela servia como hub logístico para a Força Aérea israelense, ponto de apoio para forças especiais e equipe de busca e resgate, caso pilotos fossem derrubados em território iraniano. A operação contou com o conhecimento dos Estados Unidos, segundo fontes citadas pelo jornal.
A segunda base
O New York Times, em reportagem publicada em 17 de maio de 2026, ampliou o quadro ao revelar a existência de uma segunda base. Enquanto a primeira foi montada às vésperas da guerra, a outra vinha sendo preparada desde o final de 2024 e operada de forma intermitente por mais de um ano. Ambas ficavam no deserto ocidental iraquiano e foram usadas durante o conflito de curta duração contra o Irã.
Incidentes que quase expuseram as operações
A presença israelense não passou despercebida. Em março de 2025, o pastor beduíno iraquiano Awad al-Shammari, de 29 anos, teria encontrado por acaso uma das instalações. Seu corpo foi encontrado dias depois dentro de um veículo queimado. Autoridades iraquianas relatam que um soldado local também morreu durante confrontos na tentativa de se aproximar da área. Fontes indicam que Israel realizou ataques aéreos contra tropas iraquianas que se aproximaram demais da base para proteger o segredo.
O governo iraquiano nega oficialmente ter autorizado ou tido pleno conhecimento das bases, o que gerou acusações internas de cumplicidade ou falha de inteligência. Bagdá afirma que as informações ainda estão sendo investigadas.
Objetivos estratégicos e contexto da guerra
A principal vantagem das bases era reduzir significativamente o tempo de voo e a distância para ataques aéreos contra alvos iranianos, além de oferecer suporte rápido de reabastecimento, coordenação e resgate. Isso foi especialmente crítico durante a Operação “Rising Lion” (ou Roaring Lion), o conflito de cerca de 12 dias entre forças EUA-Israel e o Irã.
Especialistas em segurança regional destacam que a escolha do deserto iraquiano permitiu operar longe de olhares internacionais, em uma zona de difícil vigilância. No entanto, a revelação levanta questões delicadas sobre violações de soberania e o papel dos EUA, que sabiam de pelo menos uma das operações mas não informaram plenamente as autoridades iraquianas.
Até o momento, nem o governo israelense nem o americano confirmaram oficialmente os relatos, mantendo a postura de não comentar operações sensíveis. O Iraque, por sua vez, cobra explicações de Washington e Tel Aviv.
Impacto diplomático
O caso reacende tensões no Iraque, onde a influência iraniana é significativa entre setores políticos e milícias. Analistas veem o episódio como mais um capítulo da “guerra nas sombras” no Oriente Médio, onde linhas de fronteira e alianças formais são frequentemente ultrapassadas por necessidades operacionais.
Enquanto as famílias das vítimas iraquianas (o pastor e o soldado) cobram justiça, o episódio serve como lembrete dos riscos de conflitos regionais que envolvem múltiplos atores em territórios soberanos.
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