Londres – Enquanto o mundo acompanhava os desdobramentos da crise no Oriente Médio, forças britânicas e aliadas conduziam, nas últimas semanas, uma operação discreta de vigilância no Atlântico Norte. Nesta quinta-feira (9), o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, decidiu tornar o caso público para expor o que classificou como atividade “maligna” da Rússia contra infraestrutura submarina vital.
Em entrevista coletiva realizada em Downing Street, Healey detalhou que o Reino Unido, em parceria com a Noruega e outros aliados da OTAN, rastreou durante mais de um mês três submarinos russos que operavam na região ao norte do território britânico. A flotilha incluía um submarino de ataque nuclear da classe Akula e dois submarinos especializados da GUGI (Diretoria Principal de Pesquisas em Águas Profundas), unidade russa conhecida por operações de inteligência e potencial sabotagem no fundo do mar.
Segundo o ministro, o Akula atuou provavelmente como isca, com o objetivo de desviar a atenção dos dois submarinos GUGI, que passaram períodos prolongados sobre cabos de telecomunicações submarinos e gasodutos considerados essenciais para o Reino Unido e seus parceiros europeus.
“Nossas Forças Armadas deixaram claro que eles estavam sendo monitorados o tempo todo. A operação secreta que o presidente Putin planejava foi descoberta”, afirmou Healey. Ele dirigiu um recado direto ao líder russo: “Ao presidente Putin, eu digo: nós vemos vocês. Vemos sua atividade sobre nossos cabos e nossos gasodutos. Qualquer tentativa de danificá-los não será tolerada e terá sérias consequências”.
A operação britânica contou com o emprego de fragatas da Marinha Real, aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon da Força Aérea e mais de 500 militares. O monitoramento foi realizado em águas internacionais e na Zona Econômica Exclusiva, sem registro de confronto direto ou dano à infraestrutura. Ao final do período, os três submarinos russos deixaram a área: o Akula retornou à base na Rússia, enquanto os dois GUGI rumaram para o norte.
Infraestrutura em risco
Os cabos submarinos que cortam o Atlântico Norte transportam mais de 95% do tráfego de dados internacionais, incluindo internet, chamadas telefônicas e transações financeiras globais. Qualquer interrupção significativa poderia gerar impactos imediatos em economias inteiras. Gasodutos e oleodutos submarinos, por sua vez, são pilares do suprimento energético europeu.
Autoridades britânicas e da OTAN vêm alertando há anos para o aumento da atividade russa nessa região, interpretada como preparação para ações de guerra híbrida — capazes de causar estragos sem declaração formal de conflito. A revelação de hoje reforça essa preocupação, especialmente num momento em que Moscou poderia acreditar que a atenção ocidental estaria desviada para outros teatros de crise.
Cooperação reforçada
A ação conjunta com a Noruega não é isolada. No final de 2025, os dois países firmaram acordo para criar uma frota combinada destinada especificamente à proteção de cabos submarinos e à caça a submarinos russos no Atlântico Norte. Especialistas avaliam que a decisão de divulgar os detalhes da operação atual faz parte de uma estratégia de dissuasão pública: demonstrar capacidade de detecção e disposição para responder.
Até o momento, não há indícios de que os submarinos russos tenham causado qualquer dano aos cabos ou gasodutos. O Ministério da Defesa britânico reforçou que o Reino Unido continuará vigilante e que considera a Rússia a principal ameaça à segurança do país e da Aliança Atlântica.
O governo russo ainda não se manifestou sobre as acusações.
Fontes: Declarações oficiais do secretário de Defesa John Healey, Ministério da Defesa do Reino Unido e agências internacionais
.jpg)
.jpg)
Não deixe de comentar, sua opinião faz a diferença aqui no Timecras!