Pentágono revela: guerra contra o Irã já custa US$ 25 bilhões aos EUA, com foco em munições caras

TimeCras
Roberto Farias
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Washington, 29 de abril de 2026 – A campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã, batizada de Operação Epic Fury, já consumiu aproximadamente US$ 25 bilhões dos cofres americanos. A informação foi revelada nesta quarta-feira por Jules Hurst, que exerce as funções de controlador (comptroller) do Pentágono, durante audiência na Comissão de Forças Armadas da Câmara dos Representantes.

A maior parte dos recursos foi destinada à aquisição e ao emprego de munições de alta precisão, como mísseis de cruzeiro Tomahawk — cada um custando entre US$ 2 milhões e US$ 3,5 milhões —, interceptores de defesa aérea (Patriot e THAAD), operações aéreas intensas e logística de apoio. Hurst descreveu o valor como uma estimativa inicial (“ballpark figure”), mas confirmou que os gastos com armamentos representam a fatia predominante.

Essa é a primeira divulgação oficial detalhada do custo acumulado após cerca de dois meses de conflito. Estimativas anteriores do próprio Pentágono indicavam que apenas os seis primeiros dias da operação haviam superado US$ 11 bilhões. Análises independentes, como as do Center for Strategic and International Studies (CSIS) e do American Enterprise Institute (AEI), projetavam valores entre US$ 25 bilhões e US$ 35 bilhões até meados de abril, alinhando-se à cifra agora confirmada pelo governo.

Por que o custo é tão elevado?

A natureza da guerra moderna explica boa parte da conta. Diferentemente de conflitos terrestres prolongados, a operação contra o Irã envolveu intensos ataques aéreos e navais contra alvos militares, instalações relacionadas ao programa nuclear iraniano, defesas antiaéreas e centros de comando. O Irã respondeu com enxames de drones e mísseis balísticos, forçando os EUA e seus aliados a consumirem rapidamente estoques caros de interceptores.

Especialistas destacam que repor esses armamentos não é simples nem barato. A produção anual de mísseis Tomahawk, por exemplo, é limitada, e o ritmo de gasto na operação esgotou uma porção significativa dos estoques estratégicos americanos — aqueles originalmente reservados para cenários de alta intensidade, como um eventual confronto com a China.

Além dos gastos diretos com combate, a operação incluiu o deslocamento de forças, manutenção de bases na região e custos operacionais diários que, nos picos iniciais, chegaram a centenas de milhões de dólares por dia. Hurst e outros oficiais do Pentágono já sinalizaram a necessidade de um pedido suplementar ao Congresso para cobrir esses gastos e recompor os arsenais. Valores especulados para esse aporte extra chegam a dezenas ou até centenas de bilhões de dólares nos próximos anos, considerando também a reconstituição de estoques e eventuais custos de longo prazo.

Contexto de um conflito ainda sem desfecho claro

A operação teve início em 28 de fevereiro de 2026, com ataques conjuntos dos EUA e Israel contra alvos iranianos. O confronto causou danos significativos à infraestrutura militar e nuclear do Irã, mas também provocou retaliações que atingiram bases americanas, Israel e parceiros no Golfo.

Em 8 de abril, um cessar-fogo mediado pelo Paquistão (com envolvimento chinês) interrompeu temporariamente os combates diretos. No entanto, o acordo permanece frágil. Os EUA mantêm bloqueio naval a portos iranianos, enquanto o Irã restringe o tráfego no Estreito de Ormuz — via marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Essa tensão continua a gerar impactos econômicos globais, com alta nos preços de energia e preocupações com suprimentos de combustível em várias regiões.

Na audiência desta quarta, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, devem prestar depoimentos. Democratas têm cobrado maior transparência sobre os custos totais e questionado a ausência de autorização congressional prévia para o início das hostilidades. Republicanos, por sua vez, defendem a operação como necessária para neutralizar ameaças representadas pelo programa nuclear iraniano e pelas ações de proxies iranianos na região.

Lições de guerras passadas

Especialistas lembram que os custos iniciais de conflitos costumam ser apenas a ponta do iceberg. As guerras no Iraque e no Afeganistão, por exemplo, tiveram gastos diretos iniciais bem inferiores aos totais finais, que incluíram reconstituição de forças, cuidados médicos a veteranos e efeitos econômicos de longo prazo — somando trilhões de dólares.

No caso atual, o foco imediato está na reposição de munições e na manutenção da prontidão das Forças Armadas. O orçamento de defesa para 2027, já em discussão, prevê aumento expressivo para US$ 1,5 trilhão, mas o custo extra da operação contra o Irã deve exigir recursos adicionais.

Enquanto o Pentágono fornece os primeiros números oficiais, o debate político nos EUA se intensifica: quanto vale a segurança estratégica contra o Irã? E até que ponto os contribuintes americanos estão dispostos a financiar uma campanha que, até o momento, não teve um desfecho político definitivo?

Acompanhe o desdobramento da audiência no Congresso e das negociações indiretas entre Washington e Teerã. O TIME CRAS Notícias segue monitorando os impactos dessa operação tanto para a geopolítica mundial quanto para a economia global.


Matéria baseada em declarações oficiais do Pentágono, relatos de veículos como Reuters, Politico, e análises independentes.

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