Hegseth culpa Biden por esgotar estoques de armas dos EUA com ajuda à Ucrânia

TimeCras
Roberto Farias
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Secretário de Defesa dos Estados Unidos afirmou que a administração anterior enviou “centenas de bilhões de dólares em armas” para Kiev sem repor os arsenais americanos, enquanto o Pentágono pede recursos extras para recompor estoques após dois meses de operação contra o Irã.

Washington, 29 de abril de 2026 – O secretário de Defesa Pete Hegseth usou a audiência na Comissão de Forças Armadas da Câmara dos Representantes para associar os custos da Operação Epic Fury no Irã à política de ajuda militar à Ucrânia adotada pela administração Biden. “O que não perdemos… é que Joe Biden, sem responsabilidade, deu centenas de bilhões de dólares em nossas armas para a Ucrânia”, afirmou Hegseth, repetindo crítica já feita em briefings anteriores. Segundo ele, o envio de armamentos para Kiev esgotou estoques estratégicos americanos, especialmente munições de precisão, o que agora complica a reposição após o intenso uso na campanha contra o Irã.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que o controlador interino do Pentágono, Jules Hurst, informou ao Congresso que a operação militar contra o Irã já custou cerca de US$ 25 bilhões, com a maior fatia destinada a mísseis de cruzeiro, interceptores de defesa aérea (como Patriot e THAAD) e operações logísticas.

Números da ajuda à Ucrânia: o que dizem os dados oficiais

De acordo com registros do Pentágono e institutos independentes como o Kiel Institute for the World Economy e o Special Inspector General for Operation Atlantic Resolve, os Estados Unidos destinaram, entre 2022 e o final de 2024, cerca de US$ 127 bilhões em ajuda militar direta à Ucrânia. Quando se considera o total de recursos autorizados pelo Congresso relacionados ao conflito (incluindo apoio logístico, treinamento e presença militar americana na Europa), o valor sobe para cerca de US$ 175 a 188 bilhões no período.

Uma parte significativa dessa assistência foi feita por meio de drawdown authority — transferência direta de equipamentos dos estoques do Departamento de Defesa. Outra porção envolveu contratos para que a Ucrânia comprasse armas novas de fabricantes americanos, o que, segundo defensores da política, ajudou a manter a linha de produção ativa nos EUA.

A administração Biden não autorizou, por exemplo, a transferência de mísseis Tomahawk de longo alcance para a Ucrânia, mas enviou volumes expressivos de munições de artilharia de 155 mm, sistemas Javelin, Stinger, HIMARS, mísseis antiaéreos e veículos blindados. Críticos, incluindo Hegseth e o presidente Trump, argumentam que não houve reposição proporcional desses estoques, o que teria deixado as Forças Armadas americanas em posição mais vulnerável ao enfrentar simultaneamente ameaças na Europa e no Oriente Médio.

Contexto da crítica durante a guerra no Irã

A operação contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, exigiu o uso intensivo de munições caras desde os primeiros dias. Análises independentes apontam que os enxames de drones e mísseis iranianos forçaram os EUA e aliados a consumirem rapidamente interceptores de alto custo. Apenas na fase inicial, os gastos diários chegaram a centenas de milhões de dólares.

Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, defenderam na audiência a necessidade de um orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão para o ano fiscal de 2027, além de um pedido suplementar — especulado em torno de US$ 200 bilhões — para repor arsenais e cobrir os custos da campanha no Golfo Pérsico.

Democratas na comissão questionaram a falta de autorização prévia do Congresso para o início das hostilidades e cobraram transparência sobre os objetivos de longo prazo da operação, que permanece em um cessar-fogo frágil, com bloqueio naval americano e tensão no Estreito de Ormuz.

Republicanos, por sua vez, reforçaram a narrativa de que a administração anterior priorizou o apoio à Ucrânia em detrimento da prontidão americana contra adversários como Irã e China.

Debate mais amplo

Especialistas em defesa divergem sobre o impacto real da ajuda à Ucrânia nos estoques americanos. Alguns apontam que parte dos equipamentos enviados era de gerações mais antigas ou excedentes, e que os contratos de produção gerados pela guerra ajudaram a indústria de defesa dos EUA. Outros reconhecem que a produção de munições de precisão e interceptores avançados tem gargalos industriais que não foram resolvidos com rapidez suficiente.

Hegseth repetiu a frase “it takes money to kill bad guys” (é preciso dinheiro para eliminar os caras maus) ao justificar os gastos elevados. A audiência desta quarta-feira reforça o tom de que a atual administração pretende priorizar a recomposição de estoques americanos (America First) e cobrar maior contribuição dos aliados europeus tanto na Ucrânia quanto na segurança global.

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