Negociações EUA-Irã em Islamabad Colapsam Após 21 Horas: Sem Acordo, Cessar-Fogo Frágil Entra em Colapso

TimeCras
Roberto Farias
0


Islamabad, 12 de abril de 2026 – As esperadas negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, realizadas na capital paquistanesa, encerraram-se sem nenhum avanço concreto após mais de 21 horas de discussões intensas. O vice-presidente americano JD Vance, à frente da delegação de Washington ao lado do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, confirmou o fim das conversas sem acordo, classificando o resultado como “má notícia, especialmente para o Irã”. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o porta-voz oficial atribuíram o fracasso à “intransigência e demandas irracionais” dos EUA.

Essa rodada, a terceira de alto nível desde o início do conflito, tinha como objetivo transformar o cessar-fogo temporário de duas semanas – mediado pelo Paquistão e iniciado em 8 de abril – em um pacto permanente de paz. O principal ponto de discórdia continua sendo o programa nuclear iraniano: os EUA insistem na renúncia completa à capacidade de enriquecimento de urânio e em “linhas vermelhas” claras de não proliferação, enquanto Teerã rejeita qualquer concessão que considere uma violação de sua soberania e direitos ao uso pacífico da energia nuclear.

Do impasse no 44º dia

O conflito atual, deflagrado em 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos EUA-Israel contra alvos militares e de liderança iraniana, já dura seis semanas e meia. A operação inicial resultou na morte do Líder Supremo Ali Khamenei e de dezenas de altos oficiais, além de milhares de civis e militares. O Irã retaliou com mísseis e drones contra bases americanas, Israel e aliados do Golfo, enquanto milícias pró-Teerã no Iraque e no Líbano intensificaram ações.

O cessar-fogo atual, frágil desde o início, permitiu uma pausa nos bombardeios diretos, mas não impediu violações periféricas, especialmente no sul do Líbano, onde Israel mantém operações contra o Hezbollah. Autoridades iranianas informaram que, até o momento, 3.375 mortes foram oficialmente identificadas no país (a maioria homens), com o blackout nacional de internet entrando no 44º dia consecutivo – o mais longo da história recente.

O Paquistão, que atua como mediador principal junto a outros atores regionais, expressou decepção com o desfecho, mas sinalizou disposição para uma nova rodada caso haja “vontade política”. China e Rússia, observadoras indiretas, pressionam por desescalada para evitar novo choque nos preços globais do petróleo.

O que acontece agora?

Sem acordo, o cessar-fogo de duas semanas pode expirar sem prorrogação automática, elevando o risco de retomada imediata das hostilidades. Analistas em Washington e Teerã avaliam que o fracasso reforça a posição dura de ambos os lados: Trump mantém a ameaça de novas sanções e ações militares seletivas, enquanto o novo comando iraniano (agora sob Mojtaba Khamenei) reafirma que não negociará sob pressão.

A economia global já sente os efeitos: o controle iraniano parcial do Estreito de Hormuz durante a guerra elevou os preços do barril de petróleo e gerou disrupções no abastecimento de gás. Milhões de refugiados e danos bilionários em infraestrutura completam o quadro de uma crise humanitária que se aprofunda.

O próximo passo depende de contatos de bastidores via Omã ou Egito, mas o clima de desconfiança mútua sugere que o “44º dia” pode marcar o retorno à guerra aberta caso não surja uma nova iniciativa diplomática nas próximas 48 horas.


Postar um comentário

0 Comentários

Não deixe de comentar, sua opinião faz a diferença aqui no Timecras!

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, Go it!) #days=(20)

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade Confira
Ok, Go it!