SOUTHCOM divulgou vídeo de explosão de embarcação, mas não apresentou provas de tráfico; especialistas internacionais classificam as ações como “execuções extrajudiciais” em águas internacionais.
Washington, 15 de abril de 2026 – As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram mais um ataque letal contra uma embarcação no Oceano Pacífico Oriental, matando quatro pessoas. O incidente, ocorrido na terça-feira, marca o quarto ataque mortal em apenas quatro dias e eleva para pelo menos 175 o número total de mortos na campanha antidrogas intensificada pelo presidente Donald Trump desde setembro de 2025.
O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) anunciou a ação por meio de uma postagem nas redes sociais, acompanhada de um vídeo não classificado de 16 segundos. As imagens mostram uma embarcação estacionária, equipada com motores de popa, sendo atingida por um míssil e explodindo em uma grande bola de fogo. Segundo o SOUTHCOM, os quatro homens mortos eram “narco-terroristas” que operavam em rotas conhecidas de tráfico de drogas no Pacífico Oriental.
“Inteligência confirmou que a embarcação transitava por rotas de narcotráfico e estava envolvida em operações de tráfico”, afirmou o comunicado oficial. Nenhuma força americana foi ferida.
O ataque de terça-feira segue outros dois registrados na segunda-feira (dois mortos) e no sábado (cinco mortos em duas ações distintas). Em um dos casos do sábado, a Guarda Costeira dos EUA suspendeu a busca por um único sobrevivente.
A ofensiva faz parte da estratégia da administração Trump de tratar o transporte marítimo de drogas por cartéis latino-americanos como uma ameaça de “narcoterrorismo”. Desde o início da campanha, em setembro de 2025, o SOUTHCOM tem realizado dezenas de “strikes cinéticos letais” tanto no Pacífico Oriental quanto no Caribe.
No entanto, a operação tem gerado fortes críticas de especialistas em direito internacional e organizações de direitos humanos. Eles argumentam que os ataques constituem “execuções extrajudiciais” realizadas em águas internacionais, sem julgamento ou apresentação de provas concretas ao público. Até o momento, o SOUTHCOM não divulgou evidências como fotos de cargas, manifestos de bordo ou identificação das vítimas que comprovem o envolvimento com o tráfico.
Críticos também questionam a efetividade da estratégia. Grande parte do fentanil responsável pelas overdoses nos Estados Unidos entra por via terrestre, via México, produzido com precursores químicos da China e da Índia – e não pelo mar. “Se havia tráfico, essas pessoas deveriam ser levadas à justiça, não eliminadas diretamente”, afirmam juristas consultados por veículos internacionais.
A escalada de ações ocorre em paralelo a outras medidas de pressão externa do governo Trump, como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, ampliando o debate sobre o uso da força militar em operações de segurança hemisférica.
Até o fechamento desta reportagem, não houve pronunciamento oficial de governos latino-americanos diretamente afetados pelas rotas de tráfico, como Colômbia, Equador ou Peru.
Fontes consultadas: Al Jazeera, SOUTHCOM (comunicados oficiais), Stars and Stripes, Associated Press.
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