Beirute, 18 de abril de 2026 – Menos de 24 horas após entrar em vigor o cessar-fogo temporário de 10 dias entre Israel e Líbano, mediado pelos Estados Unidos e anunciado pelo presidente Donald Trump, o Exército israelense (IDF) informou ter realizado ataques aéreos precisos no sul do país em resposta a “violações graves” do acordo.
Segundo comunicado oficial do IDF, as ações ocorreram após a detecção de supostos operacionais do Hezbollah se aproximando de posições israelenses e da zona de segurança ao sul do rio Litani. “Forças inimigas tentaram violar a linha de separação e reconstruir infraestruturas terroristas. Respondemos com fogo preciso para neutralizar a ameaça imediata”, afirmou o porta-voz militar israelense Avichay Adraee em publicação nas redes sociais.
O incidente reforça o que já era esperado: o acordo é frágil e não envolve diretamente o Hezbollah em todos os termos. O grupo xiita, apoiado pelo Irã, manteve posição cautelosa, afirmando que mantém o “dedo no gatilho” e responderá a qualquer “liberdade de movimento” israelense em território libanês.
Do outro lado, o Exército libanês denunciou “vários atos de agressão” israelenses nas primeiras horas do cessar-fogo, incluindo bombardeios intermitentes e artilharia em vilarejos do sul, como Khiam e arredores de Bint Jbeil. Em comunicado oficial, as Forças Armadas do Líbano pediram que a população adie o retorno às casas destruídas e mantenha cautela, alertando para o risco de novos incidentes.
Moradores de cidades como Tiro e Nabatiyeh, que há semanas viviam como deslocados, começaram a voltar em comboios apesar dos alertas. Imagens mostram famílias emocionadas diante de casas em ruínas, enquanto drones israelenses sobrevoam a região – um cenário que, para o Líbano, configura violação clara do acordo.
O cessar-fogo, que vale até 27 de abril, foi costurado às pressas após semanas de escalada que deixaram mais de 2.200 mortos no Líbano e mais de um milhão de deslocados. Israel mantém tropas em solo libanês, alegando necessidade de criar uma “zona de amortecimento” contra o Hezbollah. O grupo, por sua vez, diz que não aceita ocupação e considera qualquer presença israelense no sul como provocação.
Especialistas em segurança da ONU e analistas internacionais acompanham com preocupação. A UNIFIL, força de paz no sul do Líbano, reforçou patrulhas, mas admite que o risco de escalada permanece alto. Qualquer novo incidente pode derrubar o frágil equilíbrio e reacender o confronto em larga escala.
Enquanto Trump celebra o “sucesso diplomático”, a realidade no terreno mostra que a paz ainda depende de mais do que um pedaço de papel: depende da vontade real de ambos os lados de respeitar o limite do Litani e evitar provocação.
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