Primeiro projétil a atingir a Zona Verde desde o início do conflito em 28 de fevereiro de 2026 expõe fragilidades de segurança e pressiona o governo iraquiano a manter neutralidade
Bagdá, 14 de março de 2026 – A Embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana foi alvo de um ataque com foguetes, configurando o primeiro incidente do tipo a alcançar a fortificada Zona Verde desde o início da ofensiva conjunta EUA-Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. A informação foi confirmada pela Al Jazeera e por fontes de segurança citadas pela agência AFP.
De acordo com um oficial de segurança iraquiano não identificado, quatro foguetes foram lançados contra o complexo diplomático. O primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, reagiu e ordenou às forças de segurança que “persigam os autores do ato terrorista de lançamento de projéteis contra a embaixada americana”. Em comunicado oficial divulgado no Facebook, o gabinete do premiê enfatizou que “os responsáveis por esses ataques cometem uma ofensa contra o Iraque, sua soberania e sua segurança” e que “grupos fora da lei não representam a vontade do povo iraquiano”.
O ataque ocorre em um contexto de intensa escalada regional. Desde o início da guerra, milícias iraquianas alinhadas ao Irã — em especial as Forças de Mobilização Popular (PMF, ou Hashd al-Shaabi) — intensificaram ações contra alvos americanos no país, incluindo bases militares e instalações diplomáticas. Nas últimas semanas, drones foram interceptados nas proximidades do Aeroporto Internacional de Bagdá, e o complexo da embaixada, localizado na Zona Verde, registrou alertas de segurança e protestos pró-Irã dispersados pela polícia iraquiana com gás lacrimogêneo e tiros de advertência.
Embora o governo iraquiano insista em não ser arrastado para o conflito, o primeiro-ministro al-Sudani enfrenta pressão interna e externa. De um lado, os aliados de Teerã dentro das PMF (algumas das quais integradas formalmente ao Exército iraquiano) atuam de forma autônoma; de outro, Washington cobra maior controle sobre esses grupos. Analistas consultados por veículos internacionais destacam que o ataque à embaixada representa um teste direto à capacidade iraquiana de proteger missões diplomáticas e sinaliza o risco de o Iraque se tornar teatro secundário da guerra.
Até o momento, não há relatos oficiais de vítimas ou da extensão exata dos danos no complexo. A embaixada americana ativou protocolos internos de segurança, mas não divulgou comunicado detalhado. Fontes secundárias mencionam que sistemas de defesa próximos (incluindo variações do C-RAM) foram acionados, porém sem confirmação independente de falhas ou destruição total — informações que circulam em redes sociais e portais menores permanecem não verificadas por veículos como Al Jazeera.
O incidente se soma a uma série de ações retaliatórias iranianas e proxy na região: ataques a bases americanas no Iraque, drones contra instalações no Golfo e respostas americanas-israelenses em território iraniano. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que Teerã evitará atacar Estados vizinhos, a menos que sejam usados como plataforma contra o Irã — sinal de que o Iraque, apesar da pressão, ainda busca margem de manobra.
A comunidade internacional acompanha com preocupação. Qualquer escalada dentro da Zona Verde pode complicar ainda mais a já delicada estabilidade iraquiana, oito anos após a derrota territorial do Estado Islâmico e em meio a tensões sectárias persistentes.
Atualização em tempo real: Até a publicação desta matéria, nem o Departamento de Estado americano nem o governo iraquiano divulgaram balanço final de danos ou identificação dos autores. A situação na Zona Verde permanece sob forte vigilância.
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