Conselho de Segurança da ONU realiza consultas a portas fechadas sobre o Irã a pedido da Rússia

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Roberto Farias
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Nova York, 27 de março de 2026 — O Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciou nesta sexta-feira consultas fechadas (closed consultations) sobre a situação no Irã, a portas fechadas, a pedido da delegação russa. A reunião, do tipo consultations of the whole, ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e não será transmitida publicamente.


De acordo com diplomatas citados pela agência Associated Press, o objetivo da sessão é permitir que os 15 membros do Conselho troquem informações e alinhem posições sobre os recentes ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel contra infraestrutura civil iraniana. A Rússia, que solicitou a discussão, critica as ações ocidentais e israelenses, enquanto os Estados Unidos e seus aliados defendem a necessidade de conter o programa nuclear iraniano e as atividades regionais de Teerã.


As consultas a portas fechadas são um instrumento diplomático rotineiro no Conselho de Segurança para tratar de temas sensíveis, sem a necessidade de votação ou pronunciamentos públicos imediatos. Não há previsão de adoção de resolução ou comunicado oficial ao final da reunião.


Uma crise que se arrasta

O Irã voltou ao centro das discussões do Conselho de Segurança ao longo de 2026. Em fevereiro, ataques aéreos dos EUA e de Israel atingiram instalações iranianas, incluindo sítios nucleares, o que provocou retaliações de Teerã e uma reunião de emergência aberta do Conselho.


No dia 11 de março, o órgão aprovou a Resolução 2817 (2026), com 13 votos a favor, nenhuma oposição e abstenções da Rússia e da China. O texto condenou os ataques iranianos contra países do Golfo Pérsico (Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) e a Jordânia, exigindo o cessar imediato das ações.


Apenas um dia depois, em 12 de março, outra reunião tratou do programa nuclear iraniano e do comitê de sanções 1737, revelando profundas divisões entre os membros permanentes sobre o possível retorno automático de sanções (snapback).


O que esperar

Diplomatas ouvidos por correspondentes em Nova York afirmam que as consultas de hoje servem principalmente para “baixar a temperatura” e evitar uma nova escalada pública no Conselho. Fontes próximas à delegação russa indicam que Moscou pretende reforçar a narrativa de que as ações americanas e israelenses violam a soberania iraniana e desestabilizam a região.


Do lado ocidental, a expectativa é defender a legitimidade das medidas de contenção contra o que classificam como “ameaça nuclear e desestabilizadora” do Irã.


Até o momento, nenhum detalhe sobre o teor das discussões foi divulgado. O porta-voz do Conselho de Segurança deve fazer apenas um comunicado breve ao final da sessão, caso haja consenso para isso.


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