Trump Desafia Suprema Corte e Ameaça Tarifas "Muito Mais Altas"

TimeCras
Roberto Farias
0


Washington, 23 de fevereiro de 2026 – Em um movimento que intensifica a tensão comercial global, o presidente Donald Trump reagiu com firmeza à decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos, que na última sexta-feira (20) invalidou grande parte de suas tarifas impostas sob a alegação de "poderes de emergência". Longe de recuar, Trump não apenas manteve sua agenda protecionista como a ampliou, elevando novas tarifas e emitindo um aviso direto às nações que tentarem explorar o revés judicial.


A Suprema Corte, em julgamento por 6 votos a 3, determinou que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, de 1977) não autoriza o presidente a impor tarifas unilaterais amplas. O texto da lei permite "regular" importações em cenários de ameaça externa, mas os juízes – incluindo conservadores nomeados por Trump, como Amy Coney Barrett e Neil Gorsuch – concluíram que tarifas equivalem a impostos, poder exclusivo do Congresso segundo a Constituição americana. A decisão anulou tarifas de até 25% sobre produtos do Canadá, México e China (justificadas por tráfico de drogas) e tarifas "recíprocas" globais contra déficits comerciais.


O impacto imediato foi significativo: a Alfândega dos EUA suspendeu a cobrança dessas tarifas a partir de 24 de fevereiro, abrindo caminho para possíveis reembolsos bilionários a importadores – estimados em até US$ 175 bilhões por analistas como o Penn Wharton Budget Model. Empresas como a FedEx já entraram na Justiça para recuperar valores pagos.


Trump, porém, não esperou. Horas após o veredicto, anunciou novas tarifas globais de 10% sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 – uma ferramenta temporária (limitada a 150 dias e até 15%). No sábado (21), elevou o patamar para 15%, o máximo permitido pela lei. Em postagem no Truth Social nesta segunda-feira (23), o presidente foi ainda mais incisivo:


"Qualquer país que queira 'jogar' com a ridícula decisão da Suprema Corte, especialmente aqueles que roubaram os EUA por anos e décadas, será recebido com tarifas muito mais altas e piores do que aquelas que acabaram de concordar. COMPRADOR, CUIDADO!!!"

 

A declaração refere-se a acordos comerciais recentes firmados sob ameaça de tarifas anteriores. Trump sugere que nações que tentem renegociar ou evadir compromissos – usando a decisão da Corte como argumento – enfrentarão retaliação imediata e mais severa.


A resposta gerou reações mistas. Aliados como Mitch McConnell elogiaram a Corte por frear "impostos disfarçados" sobre famílias americanas, enquanto críticos apontam risco de inflação e instabilidade nos mercados. Parceiros comerciais, incluindo União Europeia e Reino Unido, buscam esclarecimentos sobre a validade de negociações recentes. Analistas preveem nova onda de incerteza: a Seção 122 expira em meses, forçando Trump a buscar apoio congressional ou outras vias legais.


Especialistas em comércio alertam que, apesar do revés, a estratégia de Trump pode endurecer ainda mais a política externa americana. "A Corte limitou uma ferramenta, mas abriu espaço para outras", disse um economista do Peterson Institute for International Economics. Enquanto isso, o mundo observa: o "Buyer beware" de Trump pode ser o prelúdio de uma nova escalada na guerra comercial que marcou seu primeiro mandato e agora define o segundo.


A Casa Branca já sinaliza investigações adicionais sob a Seção 301, que podem gerar tarifas setoriais permanentes. O embate entre Executivo e Judiciário – e entre protecionismo e multilateralismo – está longe de acabar.


Postar um comentário

0 Comentários

Não deixe de comentar !

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, Go it!) #days=(20)

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade Confira
Ok, Go it!