As fortes chuvas que assolam a cidade de Juiz de Fora (MG), localizada na Zona da Mata mineira, escalaram para um desastre de proporções alarmantes nesta terça-feira (24 de fevereiro de 2026). Com acumulados pluviométricos que quebraram todos os recordes históricos, o município registra uma série de impactos devastadores, incluindo deslizamentos de encostas, soterramentos de residências, colapsos estruturais e inundações generalizadas que isolam bairros inteiros.
Balanço Oficial
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, divulgado às 9h40 desta manhã:
- 16 pessoas perderam a vida em Juiz de Fora em consequência direta dos temporais.
- As fatalidades ocorreram em diversos pontos críticos:
- 4 no bairro JK (deslizamento na Rua Natalino José de Paula)
- 4 em Santa Rita (Rua Orville Derby Dutra)
- 2 em Vila Ideal (Rua João Luís Alves)
- 1 em Nossa Senhora de Lourdes
- 1 em Vila Alpina
- 1 em São Benedito
- 1 em Vila Olavo Costa
- Informações sobre outras duas vítimas ainda não foram detalhadas.
Em Ubá, cidade vizinha, foram confirmadas 4 mortes adicionais, elevando o total de óbitos na Zona da Mata mineira para 20.
Operações de Emergência
Equipes de bombeiros, Defesa Civil, policiais e um contingente especializado de 22 militares com três cães farejadores vindos de Belo Horizonte continuam em ação ininterrupta.
- Pelo menos 45 indivíduos permanecem desaparecidos, com destaque para o Parque Burnier, onde um deslizamento destruiu cerca de 12 imóveis e deixou 17 pessoas sumidas, incluindo crianças.
- Nove sobreviventes foram resgatados vivos nesse local.
- O risco de novos desmoronamentos complica as operações, que envolvem retroescavadeiras, equipamentos pesados e barcos em zonas alagadas.
Impacto Social
- Mais de 440 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas, realocadas em abrigos emergenciais como as escolas Murilo Mendes (Alto Grajaú) e Camilo Ayupe (Paineiras), além de ginásios e instalações municipais.
- A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública por 180 dias, medida que agiliza acesso a verbas estaduais e federais.
- As aulas foram suspensas em toda a rede municipal e estadual.
- O transporte público opera de forma limitada.
- Mais de 250 ocorrências foram atendidas, incluindo alagamentos profundos, quedas de barreiras e crateras em vias principais.
Contexto Climático
- Fevereiro de 2026 já é o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com 584 mm de precipitação acumulada — mais que o dobro da média histórica.
- Nas últimas horas, bairros registraram picos de chuva:
- Nossa Senhora de Lourdes: 186,1 mm
- Santa Rita: 172,7 mm
- Distrito Industrial: 161,2 mm
- O Rio Paraibuna e múltiplos córregos transbordaram, transformando ruas em rios de lama e isolando comunidades.
Região
Em Ubá, além das quatro mortes confirmadas, autoridades mobilizam recursos, incluindo pedidos de jet skis e barcos para resgates. Pontos de coleta de doações foram abertos na Praça São Januário para alimentos, leite, água, produtos de higiene e roupas.
Reflexão
Essa catástrofe evidencia vulnerabilidades crônicas, como ocupações em áreas de risco geológico e os efeitos das mudanças climáticas, que intensificam eventos extremos. A comunidade demonstra resiliência com voluntários auxiliando nos esforços, mas a previsão do tempo indica mais instabilidade nos próximos dias, mantendo o alerta máximo da Defesa Civil.
Solidariedade às famílias enlutadas, aos desaparecidos e a todos os impactados. Que a recuperação priorize a prevenção futura e o amparo aos mais vulneráveis.
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