EUA no limite: Trump avalia ataque ao Irã

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Roberto Farias
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Washington – O planejamento militar dos Estados Unidos contra o Irã entrou em estágio altamente avançado, com opções que incluem ataques direcionados a instalações nucleares, bases de mísseis, sedes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e até a eliminação de figuras-chave do regime – incluindo cenários que contemplam mudança de liderança em Teerã.


Fontes oficiais americanas revelaram à Reuters, nesta sexta-feira (20 de fevereiro de 2026), que o Pentágono prepara operações sustentadas que podem se estender por semanas, superando em intensidade e duração os ataques conjuntos EUA-Israel de junho de 2025 (Operação Midnight Hammer), que duraram apenas 12 dias.


Dois oficiais dos EUA, sob anonimato devido à gravidade do assunto, confirmaram que as opções vão além do programa nuclear: incluem decapitação seletiva de líderes e até esforços para desestabilizar o regime, caso o presidente Donald Trump autorize. O acúmulo de forças americanas no Oriente Médio atingiu massa crítica, com o grupo de porta-aviões USS Gerald R. Ford aproximando-se da região para se juntar ao USS Abraham Lincoln, além de dezenas de caças adicionais (F-35, F-22 e F-16) posicionados para gerar centenas de saídas diárias de missões de bombardeio.


Trump, que recebeu briefings detalhados nos últimos dias, admitiu publicamente nesta sexta que considera um “ataque limitado” como meio de pressionar Teerã a aceitar um acordo nuclear mais rígido – que exigiria o fim total do enriquecimento de urânio, redução drástica do programa de mísseis balísticos e corte de apoio a grupos armados regionais. “Eu acho que posso dizer que estou considerando isso”, declarou o presidente a repórteres na Casa Branca. Ele fixou um prazo de cerca de 10 a 15 dias (até o final de fevereiro ou início de março) para que o Irã apresente propostas concretas, alertando que, sem acordo, “coisas ruins” acontecerão.


A Casa Branca informou que as forças necessárias para uma campanha aérea prolongada estarão plenamente posicionadas até meados de março, mas fontes indicam que uma ação poderia ser lançada em poucos dias – possivelmente ainda neste fim de semana –, embora Trump ainda não tenha dado a ordem final nem distribuído listas definitivas de alvos. O buildup militar é o maior desde a invasão do Iraque em 2003, com capacidade para sustentar operações intensas mesmo sob retaliação iraniana.


Do lado iraniano, a resposta inclui exercícios navais conjuntos com a Rússia no Golfo de Omã e no Estreito de Ormuz, demonstrações de defesa costeira e reconstrução acelerada de instalações de mísseis. O chanceler Abbas Araghchi classificou o acúmulo americano como “desnecessário e contraproducente”, afirmando que um acordo diplomático ainda é viável com “respeito mútuo”, mas alertou que o povo iraniano é “orgulhoso” e reage melhor ao diálogo do que à ameaça. Teerã fortificou sítios nucleares e sinalizou preparo para contra-ataques, incluindo barragens de mísseis contra bases americanas, Israel e instalações petrolíferas no Golfo.


Analistas alertam para os riscos catastróficos: uma campanha aérea poderia elevar drasticamente o preço global do petróleo, provocar retaliações em cadeia e envolver aliados regionais, sem garantia de que o Irã ceda ou que o regime caia de forma controlada. Especialistas destacam que, apesar da superioridade militar dos EUA, qualquer conflito prolongado seria custoso e imprevisível, com potencial para escalada regional.


Enquanto negociações indiretas prosseguem em Genebra e Omã, o impasse diplomático e o acúmulo militar intensificam temores de um novo confronto no Oriente Médio – o mais grave desde o ataque de 2025. A decisão final cabe a Trump, que equilibra pressão máxima com a possibilidade de um acordo de última hora.


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