O epicentro do conflito ocorreu em Rosario, frente à Jefatura da Polícia (Unidad Regional II), onde um grupo de agentes — muitos encapuzados e em roupas civis — se concentrou desde a madrugada de segunda-feira (9), após um acuartelamento noturno. Durante a madrugada de terça, forças operativas avançaram para desalojar os manifestantes, resultando em empurrões, brigas físicas e confrontos entre colegas de farda. Vídeos e relatos mostram patrulheiros de ambos os lados, sirenes tocando em "sirenazos" coordenados e fumaça de pneus queimados subindo no ar.
O governador Maximiliano Pullaro (aliado ao governo Milei) respondeu com mão dura: o ministro de Segurança, Pablo Cococcioni, anunciou o passe a disponibilidade de pelo menos 20 agentes (com retirada de armas e possível denúncia penal por abandono de serviço e atos violentos). O número pode subir. O governo provincial nega que se trate de um "acuartelamiento generalizado" e afirma que o patrulhamento continua normal, concentrando o problema em cerca de 2 mil efetivos, principalmente do norte da província.
Principais demandas dos policiais
- Aumento salarial real (reclamam que os salários não cobrem a cesta básica e que os bônus emergenciais de até $500.000 (500 mil Pesos). anunciados pelo governo "não alcançam").
- Melhores condições laborais, incluindo contenção psicológica (o conflito ganhou força emocional após o suicídio de um suboficial de 32 anos na Jefatura de Rosario, em 5 de fevereiro).
- Fim de traslados forçados para regiões distantes sem opção de retorno próximo.
As manifestações se espalharam para outras cidades: Santa Fe capital (frente à Casa de Governo), Reconquista, Vera, Rafaela, San Lorenzo, Casilda, Recreo, Santo Tomé, San Javier e Avellaneda. Em várias localidades, houve bloqueios de vias e "sirenazos" contínuos.
O governo provincial insiste no diálogo institucional e afirma que "não vai entregar a política de segurança" (como ceder a traslados em massa). Uma nova reunião entre representantes policiais e autoridades ocorreu na noite de terça em Rosario, mas o resultado ainda é incerto. Há temores de efeito contágio para outras províncias, com analistas lembrando a onda de rebeliões policiais de 2013 (que começou em Córdoba e se espalhou nacionalmente).
O Governo nacional (via Ministério de Segurança de Patricia Bullrich) monitora de perto e já reforçou patrulhamento com forças federais em pontos críticos, temendo escalada. Enquanto isso, a província vive horas de incerteza: quem garante a ordem quando os próprios responsáveis por ela entram em choque?
A situação permanece volátil, com protestos se prolongando na manhã de quarta (11). O desfecho dependerá da capacidade de negociação — ou da repressão interna — nas próximas horas.
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