Áudios enviados antes do crime relatam temor de violência; Polícia Civil investiga possível dopagem, asfixia e tentativa de eliminar vestígios no apartamento.
Cotia (SP), 5 de novembro de 2026 — 16h35 (horário de Brasília)
A morte da advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e de seu filho, Raphael Faria Lima Ferrari, de 6, em Cotia, na Grande São Paulo, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (5). Mensagens de áudio nas quais a advogada demonstrava medo do ex-companheiro, suspeitas sobre a limpeza do apartamento e a possibilidade de que mãe e filho tenham sido dopados antes de morrer estão entre os principais elementos analisados pela Polícia Civil.
O empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, ex-companheiro de Anna, é o principal suspeito dos homicídios. Ele foi preso na noite de quarta-feira (4), na região do Jaguaré, zona oeste da capital paulista. Nesta quinta, passou por audiência de custódia, e a Justiça manteve sua prisão temporária.
O caso é investigado como feminicídio e vicaricídio, expressão utilizada para descrever o assassinato de um filho ou pessoa próxima com o objetivo de atingir emocionalmente uma mulher.
Áudios revelam que Anna tinha medo do ex-companheiro
Um dos elementos mais relevantes divulgados nesta quinta-feira são gravações de áudio atribuídas a Anna Gabriela. Segundo informações publicadas pela imprensa, a advogada havia relatado à síndica do condomínio que temia atitudes violentas do ex-companheiro.
Em um dos relatos, Anna teria contado que já havia sido trancada dentro do apartamento de Eric em uma ocasião anterior. Ela descreveu o episódio como uma experiência assustadora.
Amigos e pessoas próximas também relataram à polícia que o relacionamento era marcado por conflitos, separações e reconciliações, além de episódios de ameaças, perseguição e comportamento controlador.
Segundo depoimentos, Anna havia decidido encerrar o relacionamento aproximadamente um mês antes das mortes, mas ainda existiam questões relacionadas à retirada de pertences e ao contato entre os dois.
Essas informações passaram a ter importância especial para a investigação, que procura estabelecer se havia um histórico de violência doméstica e se o rompimento da relação teve relação com os crimes.
Polícia suspeita que apartamento tenha sido limpo após as mortes
A delegada Mônica Gamboa, responsável pela investigação, apresentou detalhes sobre o comportamento atribuído ao suspeito depois dos acontecimentos.
Segundo a autoridade, Eric teria permanecido no apartamento por aproximadamente cinco horas e 20 minutos após as mortes. Nesse período, a polícia suspeita que ele tenha realizado uma limpeza para tentar eliminar vestígios.
Entre os detalhes relatados estão pratos lavados, chão limpo e cama arrumada.
Os corpos de Anna e Raphael foram encontrados lado a lado sobre uma cama de casal. A organização do ambiente levou os investigadores a considerar a possibilidade de que as vítimas tenham sido colocadas naquela posição depois de morrerem.
Um incenso também foi mencionado nas informações divulgadas sobre a perícia. A polícia investiga se o produto teria sido utilizado para disfarçar odores.
A hipótese de limpeza deliberada ainda depende da análise dos vestígios e da perícia técnica. A simples constatação de que o apartamento estava organizado não comprova, isoladamente, a intenção de ocultar provas.
Exames investigam possível dopagem das vítimas
Outro ponto central da investigação é a possibilidade de que Anna e Raphael tenham recebido alguma substância antes de morrer.
No lixo do apartamento, os investigadores encontraram uma garrafa de vinho. A Polícia Civil aguarda exames toxicológicos para verificar se as vítimas ingeriram medicamentos, sedativos ou outras substâncias capazes de reduzir sua capacidade de reação.
As informações preliminares divulgadas pelas autoridades apontam para sinais compatíveis com asfixia. Também foram relatadas marcas no pescoço das vítimas, compatíveis com possível esganadura.
Entretanto, os laudos definitivos ainda são necessários para estabelecer as causas das mortes e esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Até o fechamento desta atualização, não havia confirmação laboratorial de que mãe e filho tenham sido dopados.
Câmeras mostram Eric entrando com Anna e Raphael e saindo sozinho
As gravações de segurança do condomínio são consideradas fundamentais para a reconstrução da cronologia.
Segundo informações divulgadas pela investigação, Anna, Raphael e Eric entraram juntos no condomínio na noite de domingo (1º), por volta das 21h35.
Na madrugada de segunda-feira (2), aproximadamente às 2h14, o empresário foi registrado deixando o local sozinho.
A polícia informou que não identificou a entrada ou saída de outras pessoas relacionadas ao apartamento durante o período analisado.
Os registros reforçam a linha investigativa sobre a presença do suspeito no local, mas não determinam, por si só, o horário exato das mortes.
Há também uma diferença entre os intervalos divulgados: o período entre a entrada registrada às 21h35 e a saída às 2h14 corresponde a aproximadamente quatro horas e 39 minutos, enquanto a delegada mencionou cerca de cinco horas e 20 minutos de permanência após as mortes. A diferença ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades.
Ligação para escritório de advocacia levou polícia até os corpos
A localização das vítimas ocorreu depois que Eric entrou em contato telefônico com um escritório de advocacia em Campinas.
Segundo o registro policial e informações divulgadas pela imprensa, ele comunicou que havia dois corpos em um apartamento em Cotia e forneceu o endereço do imóvel.
Uma advogada que recebeu a informação procurou as autoridades e relatou o conteúdo da ligação.
A comunicação ajudou a polícia a chegar ao apartamento, onde Anna e Raphael foram encontrados mortos na noite de terça-feira (3).
A mãe de Anna já havia registrado um boletim de ocorrência pelo desaparecimento da filha e do neto, depois de não conseguir contato com os dois.
Embora o registro da ocorrência tenha mencionado uma possível confissão por telefone, Eric negou os homicídios quando foi questionado por jornalistas após a prisão. A ligação e a declaração pública do investigado são informações distintas e devem ser analisadas no conjunto das provas.
Mãe do suspeito também aparece na investigação
A Polícia Civil identificou contatos telefônicos frequentes entre Eric e sua mãe desde domingo (1º), período em que Anna e Raphael estavam desaparecidos.
Segundo a delegada Mônica Gamboa, algumas ligações teriam durado entre 20 e 75 minutos.
A investigação também apura as informações sobre o paradeiro do empresário antes de sua prisão. Familiares sabiam onde ele estava, e houve negociações envolvendo parentes e advogados para facilitar sua localização.
A delegada relatou que chegou a considerar medidas judiciais relacionadas à mãe do investigado durante as diligências.
Até o momento, porém, não há comprovação pública de que ela tenha participado dos homicídios ou conhecimento prévio dos crimes. A existência de contatos telefônicos não demonstra, por si só, envolvimento criminoso.
Suspeito nega os homicídios e permanece preso
Eric Conrado Alves de Almeida foi localizado e preso na noite de quarta-feira (4), na região do Jaguaré, zona oeste de São Paulo.
Antes da captura, a Polícia Civil havia solicitado sua prisão temporária, diante dos elementos reunidos e do risco de fuga. Seu nome também foi incluído nas medidas de busca internacional por meio da Interpol.
Após a prisão, o empresário foi levado à unidade policial responsável pelo caso.
Questionado por jornalistas, negou ter matado Anna e Raphael e afirmou que não havia cometido os crimes.
Nesta quinta-feira (5), ele passou por audiência de custódia. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado e confirmou que o investigado permaneceria preso.
A prisão temporária foi decretada por 30 dias, conforme informações divulgadas durante a investigação.
A Polícia Civil pretende aprofundar o interrogatório formal do empresário e confrontar sua versão com as imagens de segurança, os depoimentos e os resultados periciais.
Até o fechamento desta matéria, não havia manifestação pública localizada da defesa sobre o conjunto das novas informações.
Velório e sepultamento de mãe e filho
Os corpos de Anna Gabriela e Raphael foram velados nesta quinta-feira (5), no Cemitério Parque do Morumby, na zona sul de São Paulo.
O sepultamento foi previsto para o início da tarde, reunindo familiares e pessoas próximas das vítimas.
Anna era advogada e tinha 29 anos. Raphael tinha apenas 6 anos.
A morte das duas vítimas provocou repercussão pela violência do caso e pelos relatos de que a advogada já havia demonstrado medo do ex-companheiro antes dos acontecimentos.
O que ainda falta esclarecer
Apesar da prisão do principal suspeito, a investigação continua com questões fundamentais em aberto:
- O resultado definitivo dos exames necroscópicos;
- A confirmação ou não de substâncias sedativas nos exames toxicológicos;
- O horário exato das mortes;
- A dinâmica da possível asfixia;
- Se houve tentativa deliberada de eliminar vestígios no apartamento;
- O que Eric fez durante o período em que permaneceu no imóvel;
- A localização do veículo que teria sido utilizado por ele;
- O conteúdo e a motivação dos contatos telefônicos com familiares;
- A motivação dos crimes e a eventual relação com o fim do relacionamento.
A conclusão dessas etapas deverá ajudar a Polícia Civil a reconstruir os acontecimentos e determinar as responsabilidades.
Investigação busca esclarecer se havia um histórico de violência
Os áudios atribuídos a Anna Gabriela acrescentam um elemento importante à investigação: antes de morrer, a advogada teria relatado medo de atitudes violentas do ex-companheiro e procurado ajuda de pessoas próximas.
A Polícia Civil agora precisa confrontar esses relatos com provas documentais, depoimentos, registros de comunicação e resultados periciais.
O caso evidencia a importância de investigar ameaças e sinais de violência doméstica antes que situações de risco evoluam para agressões mais graves.
A responsabilidade criminal de Eric ainda deverá ser estabelecida no curso da investigação e do processo judicial. Ele permanece preso temporariamente e nega participação nas mortes.
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