Ataque ao aeroporto de Riad deixa feridos e amplia temor de escalada no Golfo

TimeCras
Roberto Farias
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Arquivo: Reuters

Nova ofensiva interrompeu operações do principal aeroporto da capital saudita e provocou cancelamentos de voos. Ataques anteriores deixaram seis mortos, enquanto a autoria do episódio mais recente permanece sem confirmação.

Riad, Arábia Saudita — 10 de outubro de 2026

Um novo ataque contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixou várias pessoas feridas neste sábado (10) e obrigou as autoridades a suspender temporariamente as operações. O episódio agrava a crise de segurança na Arábia Saudita, que enfrenta uma sequência de ofensivas contra instalações aeroportuárias em meio à intensificação do conflito regional.

O ataque atingiu a área dos terminais 3 e 4. O aeroporto foi evacuado, e as operações ficaram suspensas enquanto as autoridades avaliavam os danos e apuravam o número de feridos.

A interrupção provocou alterações na programação aérea. Companhias cancelaram ou desviaram voos, e passageiros foram orientados a verificar a situação de suas viagens antes de se deslocar ao aeroporto.

A autoria do ataque de sábado não havia sido confirmada publicamente nas informações disponíveis. O episódio ocorreu, porém, após outros ataques reivindicados pelos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã que está em confronto com a Arábia Saudita e forças iemenitas apoiadas por Riad.

Ataques anteriores deixaram seis mortos

A ofensiva mais recente faz parte de uma sequência de ataques registrados ao longo da semana.

Nos episódios de 6 e 7 de outubro, os aeroportos de Abha, no sudoeste saudita, e Rei Khalid, em Riad, foram atingidos. Segundo os balanços divulgados pelas autoridades sauditas, três pessoas morreram e 36 ficaram feridas. Entre os mortos estavam duas mulheres residentes no país, uma marroquina e outra argelina, além de um cidadão sudanês.

Em 8 de outubro, novos ataques atingiram instalações do aeroporto de Riad e uma aeronave da companhia aérea Saudia. Três cidadãos sauditas morreram, incluindo o piloto Hamoud Ali Alkalthami, e outras pessoas ficaram feridas.

Assim, os ataques anteriores haviam provocado seis mortes. Esse total não inclui as vítimas do episódio deste sábado, cujo número definitivo ainda não havia sido informado.

Os houthis reivindicaram ataques anteriores contra alvos sauditas e anunciaram ações contra aeroportos e instalações militares. A reivindicação de episódios passados, entretanto, não comprova a responsabilidade do grupo pelo ataque mais recente.

Cancelamentos expõem os riscos para a aviação civil

A crise levou companhias aéreas a alterar suas operações e provocou alertas de segurança de representações diplomáticas estrangeiras. Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda e Canadá recomendaram que seus cidadãos evitassem o aeroporto de Riad e áreas próximas.

Mais de 225 voos foram cancelados em um período de 24 horas em meio às perturbações provocadas pelos ataques. O número corresponde ao período reportado e pode mudar conforme as companhias retomem ou suspendam operações.

O risco para a aviação civil vai além da possibilidade de um impacto direto. Em áreas onde ocorrem lançamentos e interceptações de mísseis, aeronaves também podem ser ameaçadas por destroços, operações de defesa aérea e erros de identificação.

A sequência de incidentes aumenta a pressão sobre as autoridades sauditas para proteger passageiros, tripulações e instalações estratégicas. Para as empresas aéreas, a necessidade de evitar áreas de risco pode significar rotas mais longas, custos adicionais e dificuldades para reorganizar conexões internacionais.

Trump avalia participação dos Estados Unidos

A possibilidade de uma intervenção americana acrescenta um elemento de incerteza à crise. Questionado sobre a participação dos Estados Unidos nas operações sauditas contra os houthis, o presidente Donald Trump afirmou que a hipótese estava sendo avaliada e que uma decisão poderia ser tomada rapidamente.

A declaração não representa uma confirmação de que Washington tenha autorizado uma entrada direta nas operações. Uma eventual participação americana, no entanto, poderia ampliar a escala militar do confronto e elevar o risco de novas retaliações.

A Arábia Saudita procura conter os ataques e proteger sua infraestrutura, enquanto a possibilidade de envolvimento dos Estados Unidos aumenta a importância das decisões tomadas nos próximos dias.

Outros países do Golfo estão sob ameaça?

A repetição de ataques contra aeroportos sauditas levanta preocupações sobre a segurança de outros países da região, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã.

Esses países estão ligados à mesma rede regional de transporte, comércio e energia. Uma ampliação das hostilidades poderia afetar voos, instalações estratégicas e rotas de circulação de mercadorias.

Até o momento, contudo, o risco de expansão não deve ser confundido com a confirmação de que todos esses países tenham sofrido ataques semelhantes. A extensão da crise dependerá dos próximos movimentos militares e da possibilidade de novas retaliações.

A instabilidade já é suficiente para alterar decisões de companhias aéreas e governos sobre deslocamentos na região. Se as restrições persistirem, passageiros, empresas e operadores logísticos poderão enfrentar mais cancelamentos e custos operacionais.

Petróleo e economia: o que pode mudar para o Brasil

A Arábia Saudita é um dos principais produtores mundiais de petróleo, o que faz com que qualquer agravamento da crise seja acompanhado de perto pelos mercados internacionais.

Uma alta prolongada dos preços poderá ocorrer se os combates ameaçarem a produção de energia, instalações petrolíferas ou rotas estratégicas de transporte. Entretanto, o ataque ao aeroporto não comprova, por si só, uma interrupção no abastecimento de petróleo.

Para o Brasil, uma eventual elevação persistente das cotações internacionais pode pressionar os custos de combustíveis, transportes e fretes, com reflexos sobre preços e inflação. A dimensão desse efeito dependerá da duração do conflito, das condições de oferta e demanda e da reação dos mercados.

Eventos internacionais continuam previstos

Apesar da tensão, os organizadores mantiveram a programação de grandes encontros internacionais na Arábia Saudita. O Congresso Mundial do Petróleo está previsto para 10 a 14 de outubro, enquanto a Future Investment Initiative foi marcada para 26 a 29 de outubro.

A manutenção dos eventos busca preservar a agenda econômica e a imagem de Riad como centro de negócios e investimentos. Ainda assim, as restrições aéreas podem dificultar a chegada de participantes e exigir alterações logísticas.

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