Tiroteio em Cidade Alta expõe nova escalada na guerra entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro na Zona Norte do Rio

TimeCras
Roberto Farias
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Rio de Janeiro – Um novo capítulo da disputa sangrenta pelo controle do tráfico na Zona Norte carioca marcou a tarde deste domingo (26). Traficantes do Comando Vermelho tentaram invadir a Cidade Alta, comunidade do Complexo de Israel dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. O confronto armado mobilizou equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar e Polícia Civil, gerou intenso tiroteio e provocou pânico entre moradores e motoristas que trafegavam pela Avenida Brasil.



De acordo com relatos colhidos em tempo real e confirmações das forças de segurança, o episódio começou no início da tarde. Homens armados do CV tentaram avançar sobre o território rival, resultando em troca de tiros que ecoaram pela região, inclusive nas proximidades da Avenida Brasil e da comunidade Cinco Bocas. Vídeos circulando nas redes sociais registram o som dos disparos e a movimentação de viaturas policiais.

A PRF, cujas equipes retornavam de uma operação em Duque de Caxias, prestou apoio imediato. Uma das equipes da Divisão de Policiamento da BR-040 (DRFA-BF) socorreu um motorista cujo veículo foi alvejado, sem registro de ferimentos na vítima. Por volta das 12h55, a corporação informou que a situação estava controlada. A PM manteve reforço de visibilidade com o Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) e outras unidades na Cidade Alta, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial de presos, feridos ou mortos.

Uma guerra que não para

A Cidade Alta integra o Complexo de Israel, uma das áreas mais disputadas da capital fluminense. O TCP, sob comando de Peixão – um dos criminosos mais procurados do Rio –, consolidou presença na região após anos de embates. O Comando Vermelho, maior facção do estado, busca retomar territórios perdidos, em um ciclo de invasões, contra-ataques e retaliações que se intensificou nos últimos meses.

Essa rivalidade não é nova. Operações policiais frequentes na área, como a “Barricada Zero” e ações anteriores com blindados e helicópteros, revelam o grau de armamento e organização das facções, frequentemente classificadas por autoridades como organizações narcoterroristas. O uso de barricadas, incêndios de veículos e drones para monitoramento já se tornou padrão nessas disputas.

Impactos imediatos e quem é afetado

Os principais prejudicados, mais uma vez, são os moradores das comunidades, que vivem sob constante tensão, com restrições de mobilidade e risco de balas perdidas. Motoristas que utilizam a Avenida Brasil – uma das principais vias expressas da cidade – enfrentaram congestionamentos e momentos de pânico, com relatos de pessoas se abrigando em postos de gasolina e feirões próximos.

Do ponto de vista econômico, cada episódio como este gera prejuízos indiretos: interrupção do comércio local, prejuízos ao transporte público (ônibus e BRT), além de impactos no turismo e na imagem do Rio de Janeiro, que ainda luta para se consolidar como destino seguro.

Um problema estrutural de segurança pública

A repetição desses confrontos evidencia os limites de uma estratégia baseada apenas em operações pontuais de repressão. Enquanto o Estado reage com mobilização policial, as facções demonstram capacidade de reorganização rápida e alto poder de fogo. Especialistas em segurança pública apontam que o enfraquecimento de uma facção em determinada área quase sempre provoca vácuos que são imediatamente disputados pela rival.

Politicamente, o tema pressiona o governo estadual e federal. A presença da PRF em apoio à PM sinaliza coordenação entre esferas, mas também expõe a necessidade de inteligência contínua, investimentos em tecnologia de vigilância e políticas de prevenção que vão além do confronto armado.

Até o momento, as autoridades não divulgaram balanço final com eventuais prisões ou apreensões. O policiamento reforçado deve permanecer nas próximas horas e dias para evitar novas tentativas de invasão.

O confronto deste domingo serve como lembrete de que a violência no Rio de Janeiro não é episódica, mas estrutural. Enquanto não houver uma ação integrada e de longo prazo – combinando repressão qualificada, desmantelamento financeiro das organizações criminosas e recuperação social dos territórios –, comunidades como a Cidade Alta continuarão reféns de uma guerra cujo custo principal é pago pela população civil.


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