PF investiga suposta oferta de até R$ 2 milhões a influenciadores para publicações contra o Banco Central

TimeCras
Roberto Farias
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Inquérito apura se grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro organizou campanha digital para influenciar o debate sobre a atuação da autoridade monetária. Defesas negam irregularidades.

A Polícia Federal investiga a suspeita de que pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro tenham estruturado uma campanha de comunicação para contratar influenciadores digitais com o objetivo de divulgar conteúdos críticos ao Banco Central. Segundo a investigação, alguns contratos ou negociações poderiam alcançar valores de até R$ 2 milhões, conforme o alcance e a relevância dos perfis envolvidos.

As informações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de investigações. Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso, e as apurações seguem em andamento.

O que a investigação aponta

De acordo com documentos reunidos pela Polícia Federal, a campanha teria sido organizada durante um período de intenso acompanhamento regulatório sobre o Banco Master. A investigação busca esclarecer se houve uma estratégia coordenada para ampliar críticas ao Banco Central por meio de conteúdos publicados nas redes sociais.

Os investigadores apontam que o publicitário Thiago Miranda teria participado da coordenação da iniciativa, identificada nos autos como "Projeto DV". A PF também analisa contratos, mensagens eletrônicas, documentos e registros financeiros para verificar como a estrutura teria sido organizada e quem participou das ações.

Segundo a investigação, a remuneração oferecida aos influenciadores variaria conforme o alcance dos perfis e a estratégia de divulgação, podendo chegar a R$ 2 milhões em negociações específicas.

O papel do Banco Central

O Banco Central é a autoridade responsável pela supervisão das instituições financeiras e pela preservação da estabilidade do sistema financeiro nacional. Entre suas atribuições estão fiscalizar bancos, acompanhar indicadores de risco e adotar medidas previstas na legislação quando identifica irregularidades ou situações que possam afetar o funcionamento do sistema.

Embora o inquérito trate da suposta contratação de influenciadores, a investigação não analisa o mérito das decisões do Banco Central, mas busca apurar se houve eventual prática de crimes relacionados à organização da campanha de comunicação descrita nos autos.

Defesa contesta acusações

A defesa de Thiago Miranda afirma que ele prestou serviços de comunicação e gestão de crise dentro dos limites da atividade profissional e nega qualquer prática ilícita.

Daniel Vorcaro também rejeita as acusações e sustenta que não participou de qualquer esquema para financiar ataques ao Banco Central. Seus advogados afirmam que as conclusões da investigação serão contestadas durante o processo e que não existem provas de conduta criminosa.

A Polícia Federal continua analisando o material apreendido durante a investigação para identificar a origem dos recursos utilizados, a participação de cada investigado e a eventual existência de novos envolvidos.

Após a conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público avaliar se há elementos suficientes para o oferecimento de denúncia. Até que isso ocorra, todos os investigados permanecem amparados pelo direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, garantias previstas na Constituição Federal.


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