Tech em crise: 156 mil demissões em 2026

TimeCras
Roberto Farias
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Embora o número seja global, a grande maioria das vagas eliminadas concentra-se nos Estados Unidos. No Brasil, os cortes existem, mas são pontuais e não representam volume significativo.


São Paulo, 23 de junho de 2026 — O setor de tecnologia mundial registra 156.649 demissões apenas nos primeiros seis meses de 2026, de acordo com o tracker TrueUp. O ritmo atual, de aproximadamente 900 vagas cortadas por dia, é superior ao observado no mesmo período de 2025, ano que terminou com cerca de 245 mil demissões no total.

A onda de cortes é majoritariamente concentrada nos Estados Unidos. As big techs americanas — como Meta, Oracle, Amazon, Salesforce, Microsoft e Robinhood — respondem pela maior parte dos números. Empresas com sede nos EUA realizam a maioria das demissões em suas operações domésticas (Califórnia, Washington, Nova York, Texas etc.) e, em menor escala, em hubs internacionais.

Por que os cortes estão mais intensos?

Diferente dos ajustes de 2022-2023, que foram correções após contratações excessivas na pandemia, o principal motor em 2026 é a reestruturação impulsionada pela inteligência artificial. As empresas estão reduzindo equipes de funções tradicionais, médias e de suporte para realocar recursos e investimentos pesados para IA, automação e cloud computing.

Destaques recentes:

  • Oracle: cortou cerca de 21 mil funcionários (13% da força de trabalho).
  • Meta, Amazon e Salesforce também realizaram demissões significativas ao longo do ano.

Muitas das empresas que mais demitiram continuam registrando lucros recordes e anunciando bilhões de dólares em investimentos em infraestrutura de IA.

E no Brasil?

No Brasil, o impacto direto desse total de 156 mil demissões é muito pequeno. O país não entra de forma relevante nos números globais divulgados pelos trackers internacionais. Há casos pontuais de demissões em empresas de tecnologia brasileiras ou multinacionais com operação local (como a fintech Jeitto, que realizou cortes em junho), mas tratam-se de dezenas ou, no máximo, algumas centenas de vagas — nada comparável ao volume americano.

Especialistas explicam que o mercado brasileiro de tech, embora afetado pela cautela global, tem um ritmo de ajuste mais moderado, influenciado pelo crescimento ainda presente em setores como fintech, agritech e software corporativo.

O que esperar no segundo semestre

Analistas divergem sobre o futuro:

  • Parte acredita que os cortes devem desacelerar a partir de julho, conforme as empresas finalizam suas reestruturações para IA.
  • Outros preveem que 2026 pode terminar com um dos maiores volumes de demissões da história recente do setor.

Para os profissionais, o recado é claro: habilidades em inteligência artificial, machine learning e áreas correlatas estão em alta, enquanto funções mais genéricas enfrentam maior risco de automação.

A informação foi compilada com base em trackers especializados (TrueUp), reportagens da Yahoo Tech, WSJ e comunicados oficiais das empresas.


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