Rússia emprega míssil hipersônico Oreshnik em ataque massivo contra Kiev e arredores

TimeCras
Roberto Farias
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Terceiro uso confirmado da arma de alcance intermediário com capacidade nuclear ocorre em meio a escalada de retaliações, enquanto Ucrânia registra mortos, feridos e danos em áreas residenciais e infraestrutura.


Na madrugada deste domingo (24 de maio de 2026), a Rússia lançou um dos maiores ataques combinados dos últimos meses contra a Ucrânia, com centenas de drones de ataque e dezenas de mísseis, incluindo o poderoso míssil balístico hipersônico Oreshnik. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou o emprego da arma em Bila Tserkva, cidade situada cerca de 80 km ao sul de Kiev, na região central do país.

De acordo com autoridades ucranianas, o bombardeio resultou em pelo menos duas mortes e mais de 80 feridos apenas na capital e arredores. Equipes de resgate trabalham em edifícios residenciais atingidos, com relatos de incêndios e destruição em áreas civis. O ataque ocorreu horas após Zelensky alertar, com base em inteligência ucraniana, americana e europeia, que Moscou preparava o uso do Oreshnik em retaliação a recentes ações ucranianas.



O que é o Oreshnik e por que importa?

O Oreshnik (que significa “avelã” em russo) é um míssil balístico de alcance intermediário (IRBM), derivado do projeto RS-26 Rubezh. Ele atinge velocidades superiores a Mach 10 — mais de 12 mil km/h —, tornando extremamente difícil sua interceptação pelos sistemas de defesa antiaérea existentes. Projetado para carregar ogivas nucleares, o míssil pode transportar múltiplas ogivas independentes (MIRV), o que amplia seu potencial destrutivo.

Em todos os usos confirmados até agora, a Rússia empregou versões convencionais ou inertes, mas a mera possibilidade nuclear gera forte impacto psicológico. Vladimir Putin já descreveu a arma como “quase impossível de interceptar” e capaz de gerar, pela pura energia cinética da velocidade, efeitos comparáveis a uma explosão nuclear de baixa potência.

Usos confirmados do Oreshnik na guerra:

  • Novembro de 2024: primeiro emprego, contra Dnipro.
  • Janeiro de 2026: ataque contra Lviv, no oeste do país, próximo à fronteira com a Polônia (membro da OTAN).
  • Maio de 2026: Bila Tserkva, na madrugada de 24 de maio.

Da escalada

O ataque russo surge em um momento de intensas trocas de acusações. Moscou afirma agir em resposta a supostos ataques ucranianos contra alvos civis em território russo, incluindo um recente incidente em um dormitório estudantil na região de Luhansk ocupada. Kiev nega as alegações e acusa a Rússia de usar a escalada para pressionar durante eventuais negociações de paz.

Especialistas veem o uso repetido do Oreshnik como uma estratégia de intimidação não apenas contra a Ucrânia, mas também contra os aliados ocidentais. Ao atingir o oeste do país em janeiro e agora a região central, Moscou sinaliza capacidade de alcançar praticamente qualquer ponto da Europa com armas de alta velocidade e difícil defesa.

A Ucrânia, por sua vez, reforça pedidos por mais sistemas de defesa antimísseis avançados, como Patriot e SAMP/T, e por maior suporte internacional. Apesar dos esforços de interceptação, grande parte dos mísseis e drones russos conseguiram penetrar as defesas na madrugada de hoje.



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