Washington, 24 de maio de 2026 — O Irã concordou, em princípio, em se desfazer de seu estoque de urânio altamente enriquecido como parte das negociações em curso com os Estados Unidos, segundo informou um alto funcionário da administração Trump à CBS News neste domingo.
Embora ainda não exista um acordo final assinado, a Casa Branca demonstra otimismo. A fonte americana afirmou que o líder supremo iraniano teria aprovado o “quadro geral” (broad template) do entendimento, que inclui o compromisso de Teerã em eliminar ou transferir o material nuclear sensível.
Estoque nuclear
O estoque em questão corresponde a centenas de quilos de urânio enriquecido a cerca de 60% — nível tecnicamente próximo dos 90% necessários para uma arma nuclear. De acordo com dados recentes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possuía cerca de 440 kg nesse patamar antes dos conflitos intensos. Parte significativa desse material pode ter ficado soterrada em instalações nucleares atingidas por ataques anteriores.
O que diz o quadro do acordo
Pela proposta em discussão:
- O Irã se comprometeria a dispor do urânio altamente enriquecido (opções em debate incluem diluição, transferência para um terceiro país ou destruição sob supervisão).
- Os Estados Unidos ofereceriam, em contrapartida, alívio parcial de sanções e medidas para reabrir o Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial, atualmente bloqueada ou sob forte tensão.
- O entendimento preliminar busca encerrar o ciclo de confrontos recentes entre EUA, Israel e Irã, estabelecendo um caminho para um cessar-fogo mais duradouro.
Um funcionário da administração Trump classificou o potencial acordo como superior ao JCPOA de 2015, negociado na era Obama, que permitia enriquecimento limitado. “Desta vez, exigimos a eliminação do estoque e resolução de outras questões nucleares”, destacou a fonte.
Desafios e ressalvas
Apesar do avanço sinalizado pelos americanos, persistem obstáculos concretos:
- O mecanismo exato de “desfazer” o urânio ainda está em negociação. Fontes regionais mencionam possibilidade de transferência para um país como a Rússia ou diluição controlada.
- O Irã historicamente resistiu a enviar o material para fora de seu território. Relatos recentes indicavam que o líder supremo havia orientado que o estoque permanecesse no país.
- Não há confirmação pública imediata por parte de autoridades iranianas sobre os detalhes divulgados pela Casa Branca.
- O presidente Donald Trump tem repetido que “o tempo está do lado dos EUA” e que não há pressa para fechar o acordo, reforçando a posição de força americana.
Especialistas avaliam que o texto preliminar pode evoluir para um memorando de entendimento com cerca de 14 pontos, abrindo uma janela de 30 a 60 dias para discutir detalhes mais complexos, como o futuro do programa de enriquecimento iraniano em níveis baixos e o desmantelamento de instalações.
Contexto geopolítico
As conversas ocorrem após semanas de escalada militar que envolveu ataques diretos, bloqueios no Estreito de Ormuz e impactos na economia global, com alta nos preços de combustíveis. Um acordo bem-sucedido poderia não apenas reduzir a ameaça nuclear iraniana, mas também estabilizar o fluxo de energia mundial e abrir espaço para reconstrução diplomática na região.
A administração Trump vê o momento como oportunidade para um pacto mais robusto que evite, de forma definitiva, o caminho do Irã rumo à bomba atômica. No entanto, o ceticismo permanece alto: o histórico de desconfiança mútua entre Washington e Teerã sugere que qualquer avanço exigirá verificações rigorosas, provavelmente com envolvimento da AIEA.
Enquanto as equipes negociadoras continuam trabalhando, o mundo acompanha de perto os próximos passos. Um acordo final ainda pode demorar dias ou semanas, mas o sinal de hoje representa o progresso mais concreto reportado até o momento nas tratativas indiretas.
Nota final
Esta reportagem foi elaborada com base em declarações oficiais da administração Trump e coberturas de veículos como CBS News, The New York Times e agências internacionais.
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