Paquistão rejeita acusações de apoio militar ao Irã enquanto Trump alerta que trégua está “por um fio”

TimeCras
Roberto Farias
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Islamabad/Washington, 12 de maio de 2026 – O Paquistão negou veementemente nesta terça-feira acusações de que teria prestado auxílio militar ao Irã, ao mesmo tempo em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã está “por um fio” e “em suporte de vida massivo”.


O Ministério das Relações Exteriores paquistanês classificou como “enganosos e sensacionalistas” os relatos de que aeronaves militares iranianas, incluindo um RC-130 de reconhecimento, estariam abrigadas em bases aéreas do país para protegê-las de possíveis ataques americanos. Segundo Islamabad, as aeronaves iranianas chegaram à base Nur Khan, próxima a Rawalpindi, por razões logísticas ligadas às rodadas de negociação entre representantes americanos e iranianos realizadas em abril.


“Ambas as partes, iraniana e americana, utilizaram a base para fins diplomáticos durante o período de cessar-fogo. Não há qualquer ligação com contingências militares”, afirmou o comunicado oficial paquistanês.


A declaração surge em um momento crítico para a diplomacia regional. O Paquistão tem atuado como principal mediador desde o início do conflito, que envolveu ataques americanos e israelenses contra o Irã, o fechamento temporário do Estreito de Ormuz e um bloqueio naval imposto pelos EUA. O cessar-fogo, anunciado em abril após intensa negociação liderada pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, vinha sendo mantido de forma precária.


Trump, porém, endureceu o tom nas últimas horas. Em declarações públicas, o presidente americano rejeitou a mais recente contraproposta enviada pelo Irã via canais paquistaneses, qualificando-a como “lixo” e “totalmente inaceitável”. Segundo ele, o documento não oferece concessões suficientes no programa nuclear iraniano, nas garantias de reabertura segura do Estreito de Ormuz e no fim de atividades de grupos aliados a Teerã na região, como o Hezbollah no Líbano.


“Esta trégua tem cerca de 1% de chance de sobreviver no momento”, disse Trump, reforçando que Washington continua aberto à diplomacia, mas não aceitará “jogos” por parte de Teerã.


Impasse central
Fontes diplomáticas indicam que os principais pontos de divergência permanecem:

  • O futuro do programa nuclear iraniano e o nível de enriquecimento de urânio permitido;
  • O fim do bloqueio naval americano e a liberação de rotas comerciais;
  • Garantias de segurança regional, incluindo o cessar-fogo efetivo entre Israel e o Hezbollah;
  • Possíveis sanções e reconstrução pós-conflito.


O Paquistão, que mantém relações históricas com ambos os lados — aliado tradicional dos EUA na Ásia e vizinho com laços profundos com o Irã —, intensifica os esforços para evitar o colapso total das conversas. Analistas observam que um fracasso da mediação poderia não apenas reavivar combates diretos, mas também impactar severamente os preços globais de energia, já pressionados pelo conflito.


Enquanto isso, o governo iraniano mantém tom firme, exigindo o fim imediato do bloqueio naval como pré-condição para novas rodadas de diálogo. Do lado americano, fontes próximas à administração Trump indicam que novas sanções ao setor petrolífero iraniano já estão sendo preparadas caso não haja avanços concretos nas próximas semanas.


A situação permanece extremamente volátil. Qualquer incidente no Golfo Pérsico ou nova escalada entre Israel e forças apoiadas pelo Irã pode derrubar de vez o cessar-fogo que, até o momento, impediu uma guerra de proporções ainda maiores no Oriente Médio.


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