OMS declara surto de Ebola na África como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional

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Roberto Farias
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Genebra/Bunia – 17 de maio de 2026 — A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo (17) que o surto de Ebola causado pela cepa Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII ou PHEIC).
A medida, uma das mais altas alertas da agência, busca mobilizar recursos globais e coordenar ações rápidas para conter a doença antes que se espalhe para outros países da região.

Declaração oficial

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a decisão após avaliação do Comitê de Emergência. Ele destacou que, embora o surto não atenda aos critérios de emergência pandêmica, existe risco significativo de propagação transfronteiriça devido à instabilidade na região e à subnotificação de casos.

“O verdadeiro número de infectados e a extensão geográfica ainda apresentam incertezas substanciais”, alertou Tedros.

Uma cepa rara e desafiadora

Diferentemente de surtos anteriores na RDC, dominados pela cepa Zaire (para a qual existem vacinas e tratamentos), este é provocado pelo vírus Bundibugyo, identificado pela primeira vez em 2007.
Não há vacinas nem terapias específicas aprovadas para essa variante, cuja taxa de letalidade pode chegar a 40-50% em contextos com recursos limitados.

Situação atual

Até 16 de maio:

  • 8 casos confirmados por laboratório
  • 246 casos suspeitos
  • Cerca de 80 mortes suspeitas

Os epicentros incluem Mongwalu, Rwampara e Bunia, na província de Ituri. Casos já foram confirmados no Uganda, incluindo ao menos uma morte em Kampala, e há relatos de transmissão até Kinshasa.

Contexto de vulnerabilidade

Ituri é uma região marcada por conflitos armados, deslocamentos populacionais e acesso precário a serviços de saúde. Esses fatores complicam o rastreamento de contatos, os enterros seguros e a vigilância epidemiológica.
Profissionais de saúde já estão entre as vítimas, aumentando o risco dentro do sistema sanitário.

Resposta em curso

Com a declaração de ESPII, a OMS libera recursos emergenciais — incluindo US$ 500 mil do Fundo de Contingência — e intensifica o apoio técnico aos governos da RDC e Uganda.
Ações prioritárias:

  • Rastreamento rigoroso de contatos
  • Isolamento de casos suspeitos
  • Triagem em pontos de entrada
  • Comunicação de risco para ganhar confiança das comunidades
  • Reforço da vigilância nos países vizinhos

A África CDC também está mobilizada para uma possível declaração continental de emergência.

Histórico e perspectiva

Este é o 17º surto de Ebola registrado na RDC desde 1976.
Embora a Bundibugyo seja menos comum que outras cepas, sua presença exige resposta ágil.
A experiência da epidemia de 2014-2016 na África Ocidental mostra que a detecção precoce e a coordenação internacional são decisivas para limitar o impacto.

Especialistas reforçam que, com ações imediatas, é possível conter o avanço. No entanto, o contexto de instabilidade regional exige vigilância contínua nas próximas semanas.


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