FAB Avança em Estudos para Aquisição de até 36 Caças Leves Italianos M-346FA

TimeCras
Roberto Farias
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Brasília, 27 de maio de 2026 – Em meio à transição da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB), estudos internos foram retomados de forma discreta para a possível aquisição de até 36 aeronaves Leonardo M-346FA. O objetivo principal é preencher o vácuo deixado pela desativação progressiva dos veteranos A-1 AMX, prevista para ocorrer até 2027, mantendo a capacidade de ataque tático enquanto a frota de Gripen E/F ainda se expande.

A informação, confirmada por fontes especializadas em defesa, reflete uma movimentação estratégica que vem ganhando força nos bastidores militares ao longo de 2025 e início de 2026. Diferentemente de uma decisão imediata de compra, trata-se de avaliações técnicas e operacionais aprofundadas, com apresentações detalhadas da Leonardo Aeronautics à FAB. O M-346FA surge como uma solução multifuncional de custo acessível, capaz de atuar tanto no treinamento avançado de pilotos quanto em missões de combate leve.

O contexto operacional da FAB
Os AMX, resultado de um programa de cooperação ítalo-brasileiro que envolveu a Embraer na década de 1980, cumpriram papel relevante em ataque tático e reconhecimento por décadas. No entanto, com o envelhecimento da frota e os altos custos de manutenção, sua permanência operacional torna-se cada vez mais desafiadora. Paralelamente, os Saab Gripen E/F assumem a missão de superioridade aérea, mas o número atual de unidades entregues ainda não cobre integralmente todas as demandas de emprego tático da Força.

Nesse cenário, o M-346FA se posiciona como plataforma complementar: não substitui o Gripen em missões de alto desempenho, mas reforça o ataque leve, apoio aéreo próximo, reconhecimento tático e, principalmente, o pipeline de formação de pilotos para caças de quarta geração e meia.

Características técnicas do M-346FA
O M-346FA é a versão armada (Fighter Attack) do jato de treinamento avançado M-346 Master, desenvolvido pela Leonardo. Equipado com dois motores turbofan Honeywell F124, o avião atinge velocidade máxima de cerca de 1.065 km/h em baixa altitude e teto de serviço de 13.715 metros. Sua configuração inclui sete pontos de fixação externos com capacidade de carga de até 3 toneladas.

Destaques operacionais:

  • Radar multimodo Grifo-M346 (da própria Leonardo), com capacidade ar-ar e ar-superfície.
  • Integração com pods de designação e reconhecimento (Litening/RecceLite).
  • Emprego de armamentos guiados por infravermelho, radar, laser e GPS, além de canhão em pod.
  • Sistema de reabastecimento em voo, link de dados táticos e redução de assinatura radar.
  • Sistema de treinamento embarcado (ETTS), permitindo simulações táticas avançadas em voo real.

Essas características permitem que a aeronave sirva como Lead-In Fighter Trainer (LIFT), preparando pilotos para o Gripen de forma mais eficiente que os atuais A-29 Super Tucano em etapas finais, ao mesmo tempo em que oferece real capacidade de combate.

🤝 Parceria histórico-estratégica com a Itália
A escolha italiana não é aleatória. O AMX foi desenvolvido em consórcio com empresas italianas (hoje parte da Leonardo), o que facilita discussões sobre transferência de tecnologia, manutenção local e possível participação da indústria brasileira. Negociações preliminares incluem a possibilidade de envolvimento da Embraer ou de outras empresas nacionais em logística e upgrades.

Embora o número exato ainda esteja em estudo, relatos indicam que a FAB poderia receber a maior parte das unidades, com potencial interesse da Marinha do Brasil para modernizar sua aviação embarcada, substituindo ou complementando os antigos A-4 Skyhawk.

Impactos estratégicos e próximos passos
A aquisição de uma frota dessa magnitude representaria um salto significativo na capacidade operacional da aviação de caça brasileira. Além de manter a prontidão em missões de soberania e apoio às forças terrestres, o M-346FA contribuiria para a retenção de know-how em operações de ataque tático durante a fase de maturidade da frota Gripen.

Especialistas destacam que o projeto se alinha à estratégia de diversificação de fornecedores e busca por soluções custo-efetivas, sem abrir mão de desempenho. No entanto, qualquer decisão final dependerá de aprovação orçamentária, análise comparativa com outras opções no mercado e alinhamento com o Plano de Articulação e Equipamento da FAB.

Até o momento, não há contrato assinado. As avaliações continuam de forma reservada, com foco em voos de demonstração, simulações operacionais e estudos de integração ao sistema de defesa brasileiro. O tema deve ganhar mais visibilidade nos próximos meses, especialmente se avançar para fase de negociações oficiais.


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