Comando Vermelho adquire “super drones” agrícolas para transportar até 20 fuzis entre favelas do Rio

TimeCras
Roberto Farias
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Rio de Janeiro, 21 de maio de 2026 – A inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro identificou a aquisição, pelo Comando Vermelho (CV), de drones de grande porte capazes de transportar cargas de até 80 quilos — o equivalente a cerca de 20 fuzis — entre comunidades dominadas pela facção. Os equipamentos, do tipo agrícola ou de carga, representam uma nova escalada tecnológica no arsenal do grupo narcoterrorista que atua na capital fluminense.

De acordo com investigações da Subsecretaria de Inteligência, os drones foram adquiridos por traficantes que atuam principalmente no Complexo do Alemão, na Zona Norte. Cada unidade tem custo estimado acima de R$ 200 mil, autonomia de voo de até 12 quilômetros e capacidade para deslocar armas, munições e drogas entre diferentes pontos das favelas controladas pelo CV com rapidez e menor risco de interceptação terrestre.

Evolução tática do narcoterrorismo

O uso de drones não é novidade no Rio — a facção já empregou equipamentos menores para monitoramento e até para lançar explosivos contra forças policiais em operações recentes. No entanto, a chegada desses “super drones” marca um salto qualitativo: eles permitem logística pesada sem depender exclusivamente de rotas terrestres vigiadas pela polícia.

Especialistas em segurança pública veem nessa estratégia uma adaptação do narcoterrorismo às dificuldades impostas por megaoperações e ao cerco das forças de segurança. Com a capacidade de voar entre morros e evitar barreiras, os equipamentos facilitam o reabastecimento de armamento em tempo real durante confrontos ou o deslocamento rápido de fuzis entre bocas de fumo.

Resposta das autoridades

A Polícia Militar e a Polícia Civil já monitoram o novo vetor aéreo utilizado pelo Comando Vermelho. Equipamentos antidrone, incluindo sistemas de detecção e neutralização, têm sido priorizados nas operações. Em ações recentes na Zona Norte e Zona Oeste, as forças de segurança apreenderam fuzis, explosivos e material relacionado ao uso de drones pela facção.

O secretário de Segurança Pública do Rio tem classificado o Comando Vermelho como uma organização narcoterrorista, destacando o emprego de táticas militares, armamento de guerra e agora tecnologia avançada de transporte aéreo.

Contexto mais amplo

O Rio de Janeiro vive uma escalada de violência protagonizada principalmente pelo confronto entre o Comando Vermelho e milícias, com reflexos em todo o estado. A aquisição desses drones reforça o poder logístico da facção, que mantém forte influência em rotas internacionais de drogas e financia sua estrutura com o tráfico de armas e entorpecentes.

Autoridades federais e estaduais discutem o endurecimento da legislação sobre importação e uso de drones de grande porte, além de maior investimento em contramedidas tecnológicas. Enquanto isso, o uso dessa ferramenta pelo narcoterrorismo expõe os desafios de combater uma organização que se moderniza mais rapidamente que parte da estrutura de segurança pública.

A Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações sobre a origem dos drones e os responsáveis pela aquisição seguem em andamento, com foco na desarticulação dessa nova cadeia logística aérea.


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