“violação do direito internacional” Síria condena ataques israelenses no Líbano que deixou mais de 250 mortos

TimeCras
Roberto Farias
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Damasco — O Ministério das Relações Exteriores da Síria condenou nesta quarta-feira (8 de abril de 2026) os intensos ataques aéreos israelenses contra o Líbano, classificando-os como “flagrante violação do direito internacional e da soberania libanesa”.

A declaração síria foi divulgada horas após Israel realizar o que suas Forças de Defesa descreveram como a maior operação coordenada de bombardeios no Líbano desde o início da atual fase do conflito, em março. Segundo o serviço de Defesa Civil libanês, os ataques resultaram em pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos em um único dia — o balanço mais elevado registrado até o momento na guerra de 2026 contra o Hezbollah.

Os bombardeios atingiram mais de 100 alvos em cerca de dez minutos, incluindo áreas residenciais e comerciais no centro de Beirute, nos subúrbios sul da capital, no sul do Líbano e no Vale do Bekaa. Autoridades libanesas relataram que vários ataques ocorreram sem aviso prévio em zonas densamente povoadas.

Do cessar-fogo frágil

Os ataques aconteceram poucas horas depois do anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos, Israel e Irã, mediado pelo Paquistão. O presidente Donald Trump afirmou explicitamente que o acordo não inclui o Líbano, devido à presença do Hezbollah. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reforçou que as operações contra o grupo xiita continuarão independentemente do entendimento com Teerã.

O Hezbollah, por sua vez, declarou ter suspendido seus ataques contra Israel em respeito ao cessar-fogo com o Irã, mas acusou as forças israelenses de violá-lo ao intensificar os bombardeios no território libanês.

A Síria, que mantém relações históricas com o Hezbollah e o Irã, vê na ação israelense não apenas uma agressão ao Líbano, mas um risco de desestabilização regional mais ampla. Damasco tem repetidamente alertado para o que considera violações sistemáticas da Carta da ONU e do Direito Internacional Humanitário, especialmente quando civis são afetados.

Reações e impactos

A ONU condenou veementemente os ataques e manifestou preocupação com o elevado número de vítimas civis. Países como o Brasil, por meio do Itamaraty, têm acompanhado a escalada com “grande preocupação” e defendido o respeito ao direito internacional, o fim imediato das hostilidades e a extensão de mecanismos de cessar-fogo a todos os fronts regionais.

Do lado israelense, o Exército afirma ter mirado exclusivamente “infraestrutura militar e centros de comando do Hezbollah”, grupo considerado organização terrorista por Israel, Estados Unidos e vários países europeus. Israel justifica as operações como legítima defesa contra ameaças persistentes na fronteira norte.

Especialistas alertam que a continuidade dos combates no Líbano pode comprometer as negociações previstas para este fim de semana em Islamabad e aumentar a volatilidade no mercado de petróleo, especialmente após o Irã ameaçar novamente restringir o tráfego no Estreito de Ormuz em resposta aos eventos no Líbano.

O conflito Israel-Hezbollah, que já causou mais de 1.700 mortes no Líbano desde março segundo autoridades locais, deslocou mais de um milhão de pessoas e ameaça transformar uma trégua bilateral em uma escalada regional imprevisível.

A situação segue em desenvolvimento, com relatos de que o número de vítimas ainda pode aumentar à medida que equipes de resgate acessam áreas atingidas.


Fontes principais: Ministério da Saúde e Defesa Civil do Líbano, declarações oficiais da Síria, Forças de Defesa de Israel, agências internacionais de notícias e comunicados da ONU (8 de abril de 2026).


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