Confresa, MT – Passados exatamente três anos do dia que marcou uma das páginas mais violentas da segurança pública mato-grossense, as investigações sobre o mega-assalto ocorrido em 9 de abril de 2023 avançaram mais uma etapa significativa.Na última quinta-feira (9 de abril de 2026), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a terceira fase da Operação Pentágono. A ação resultou no cumprimento de 97 ordens judiciais, incluindo 27 mandados de prisão preventiva, 30 de busca e apreensão e o bloqueio de 40 contas bancárias vinculadas a investigados.Entre os alvos estava Pablo Henrique de Sousa Franco, conhecido como “Pouca Sombra”. Ele foi preso em Marabá, no sudeste do Pará, e é apontado pelas autoridades como chefe do núcleo de logística da organização criminosa responsável pelo ataque. Portador de nanismo, o suspeito chamava atenção nas redes sociais ao exibir um estilo de vida com embarcações, quadriciclos e bens de alto valor.
O crime que chocou o estadoNo domingo, 9 de abril de 2023, cerca de 20 criminosos fortemente armados executaram uma ação coordenada no estilo “domínio de cidades”, também chamado de Novo Cangaço. O grupo sitiou a cidade de Confresa, localizada a mais de 1.050 quilômetros da capital Cuiabá.Parte dos envolvidos invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu os policiais que estavam de serviço e ateou fogo ao prédio. Ao mesmo tempo, outros membros bloquearam acessos à cidade, incendiaram veículos e estruturas públicas, gerando pânico generalizado entre moradores e comerciantes.O principal objetivo era o roubo a uma transportadora de valores (Brinks). Os assaltantes utilizaram explosivos de alta potência na tentativa de abrir o cofre principal. No entanto, o sistema de segurança do equipamento — que liberou gás — impediu o acesso ao conteúdo interno. Com isso, a quadrilha conseguiu levar apenas o dinheiro que estava fora do cofre: cerca de R$ 2 mil.As investigações revelaram que a organização investiu mais de R$ 3 milhões (algumas fontes indicam até R$ 3,5 milhões) somente na preparação do crime. O valor foi aplicado na aquisição de armamento pesado, veículos, explosivos, combustível e toda a estrutura logística necessária para uma operação de tamanha complexidade e risco.Estrutura da organização e desdobramentosA quadrilha atuava de forma estruturada, com núcleos bem definidos: comando, execução, logística e suporte financeiro. A Polícia Civil estima que pelo menos 50 pessoas integravam a organização de alguma forma.Logo após o ataque, forças de segurança de vários estados foram mobilizadas. Em confrontos durante as buscas iniciais, especialmente no Tocantins, 18 suspeitos perderam a vida. As fases anteriores da Operação Pentágono já haviam resultado em outras prisões.Agora, a terceira fase mira especialmente a estrutura de apoio que permitiu a realização do crime. A ação contou com integração entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a do Pará, demonstrando o caráter interestadual da investigação.Pablo Henrique de Sousa Franco é investigado por crimes como roubo majorado, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Sua prisão representa um golpe direto no setor responsável por fornecer armas, veículos e suporte operacional ao grupo.Impacto e perspectivasPara os moradores de Confresa, que viveram horas de terror com ruas tomadas por homens armados e incêndios, cada avanço nas investigações traz um sentimento de busca por justiça. As autoridades destacam que o trabalho continua, com o objetivo de identificar não apenas os executores, mas também os financiadores por trás da ação.A Operação Pentágono segue em andamento e reforça a estratégia de desarticulação completa de organizações que adotam táticas de alto impacto e extrema violência no interior do país.A matéria permanece em atualização conforme surgirem novos desdobramentos.
Polícia Civil prende “Pouca Sombra”, apontado como responsável pela logística do maior assalto da história de Mato Grosso
Roberto Farias
abril 11, 2026
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