DAKAR / BAMAKO — Mali vive neste sábado (25 de abril de 2026) uma das mais graves ondas de ataques coordenados dos últimos anos. Grupos armados, incluindo jihadistas do Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) — ligado à Al-Qaeda — e separatistas tuaregues do Frente de Libertação do Azawad (FLA), lançaram ofensivas simultâneas contra posições do Exército e da junta militar em Bamako e em várias cidades do centro e norte do país.
Segundo relatos de testemunhas e jornalistas no local, houve intensos tiroteios e explosões perto do Aeroporto Internacional Modibo Keïta, em Bamako, e na base militar de Kati (principal quartel das forças armadas, localizada nos arredores da capital e que abriga o líder da junta, coronel Assimi Goïta). Voos foram cancelados e helicópteros foram vistos sobrevoando a região em meio ao confronto.
O Exército maliense confirmou que “grupos terroristas” atacaram “certos pontos e quartéis na capital e no interior do país”. Até o momento, não há balanço oficial consolidado de mortos ou feridos, mas fontes locais falam em combates prolongados.
Mercenários russos em ação
Forças malienses contam com o apoio de mercenários russos do Africa Corps (sucessor do antigo Grupo Wagner após a morte de Yevgeny Prigozhin e a reestruturação da empresa). Testemunhas e relatos da imprensa internacional indicam que esses mercenários estão diretamente envolvidos nos combates, especialmente na defesa de bases militares e na região de Kidal, onde separatistas alegam ter ocupado temporariamente alguns acampamentos — embora o controle completo da cidade não tenha sido confirmado.
O JNIM reivindicou os ataques em seu canal oficial, descrevendo-os como uma operação coordenada contra a junta militar e seus aliados estrangeiros. Analistas apontam que a ofensiva explora a fragilidade da segurança no Sahel após a saída das forças francesas e da missão de paz da ONU (MINUSMA), e a crescente insatisfação com a junta, no poder desde 2020.
Contexto de uma crise que se arrasta
Desde o golpe de 2020, Mali afastou-se de parceiros ocidentais e aproximou-se da Rússia em busca de apoio militar. O Grupo Wagner/Africa Corps foi contratado para combater a insurgência jihadista que eclodiu em 2012, mas a presença russa é criticada por organizações de direitos humanos por supostas execuções sumárias e abusos contra civis.
Apesar de algumas vitórias pontuais (como a ofensiva em Kidal em 2023), os grupos jihadistas — especialmente o JNIM — mantiveram e até ampliaram sua capacidade de atacar. Nos últimos meses, o JNIM impôs bloqueios a rotas de combustível que afetaram gravemente o abastecimento de Bamako, gerando escassez e protestos.
A ofensiva deste sábado representa um salto qualitativo: ataques simultâneos na capital e em regiões distantes indicam maior coordenação entre jihadistas e separatistas tuaregues, algo que analistas vinham alertando como possibilidade desde o início de 2026.
Situação atual
A situação permanece fluida. O governo maliense ainda não divulgou detalhes sobre baixas ou o controle das áreas afetadas. A comunidade internacional acompanha com preocupação o risco de maior instabilidade no Sahel, região que já registra milhares de mortes anuais por violência extremista.
.jpg)

Não deixe de comentar, sua opinião faz a diferença aqui no Timecras!