Guarda Revolucionária Islâmica detém MSC Francesca e Epaminondas por supostas violações marítimas; ação ocorre horas após os EUA manterem bloqueio naval aos portos iranianos.
DUBAI/WASHINGTON – A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã apreendeu nesta quarta-feira (22) dois navios porta-contêineres no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo do mundo. Os navios, identificados como MSC Francesca (bandeira do Panamá) e Epaminondas (bandeira da Libéria), foram escoltados para a costa iraniana após a força naval iraniana alegar violações graves de segurança marítima.
Segundo a agência de notícias semioficial Tasnim, citada pela IRGC, as embarcações operavam sem a autorização necessária e teriam manipulado seus sistemas de identificação automática (AIS), o que colocaria em risco a navegação na região. “A perturbação da ordem e da segurança no Estreito de Ormuz é nossa linha vermelha”, afirmou o comando naval da Guarda Revolucionária em comunicado oficial.
Relatos da agência britânica de segurança marítima UKMTO indicam que pelo menos três navios foram alvo de disparos na área durante a manhã. Um terceiro cargueiro, possivelmente o Euphoria, teria sido atingido e encalhado próximo à costa iraniana, embora não haja confirmação oficial de sua apreensão.
A ação iraniana acontece poucas horas depois de o presidente americano Donald Trump anunciar a prorrogação indefinida do cessar-fogo com o Irã, mantendo, porém, o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos. Nas últimas semanas, os Estados Unidos já interceptaram e apreenderam o navio iraniano Touska no Golfo de Omã, após a embarcação ignorar ordens de parada e tentar romper o bloqueio – operação que incluiu tiros de advertência e abordagem de fuzileiros navais.
Contexto de escalada
O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do petróleo transportado por mar no planeta. Qualquer interrupção prolongada na rota pode provocar disparada nos preços globais de energia. Nas últimas horas, o Brent já registra alta superior a 4% nos mercados futuros.
Teerã acusa Washington de “pirataria estatal” desde a apreensão do Touska, enquanto o Pentágono justifica o bloqueio como medida de pressão para forçar negociações sobre o programa nuclear iraniano e atividades regionais. Até o momento, não há indícios de que as apreensões de hoje tenham causado vítimas ou danos graves às tripulações.
Fontes diplomáticas em Dubai afirmam que a iniciativa iraniana pode complicar ainda mais as conversas indiretas de paz mediadas por terceiros países, que já estavam fragilizadas pela decisão americana de manter o bloqueio.
O que acontece agora
Autoridades iranianas não divulgaram prazo para liberação dos navios nem detalhes sobre a tripulação (estimada em dezenas de pessoas por embarcação). A MSC, maior empresa de transporte marítimo do mundo, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente.
O episódio reforça o risco permanente de uma escalada militar no Golfo Pérsico, onde qualquer faísca pode afetar o comércio global de energia.
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