Serviços de inteligência russos repassaram ao Irã uma lista detalhada contendo 55 alvos críticos da rede energética israelense, segundo informação obtida com exclusividade pelo jornal The Jerusalem Post junto a uma fonte próxima aos serviços de inteligência ucranianos. A revelação, publicada nesta segunda-feira (6 de abril de 2026), reforça o nível avançado de cooperação militar e de inteligência entre Moscou e Teerã em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
De acordo com o relatório, os alvos foram classificados em três categorias distintas, conforme o grau de importância estratégica. O compartilhamento incluiria dados suficientes para que o Irã possa planejar ataques com mísseis de precisão contra instalações de geração, transmissão e distribuição de energia em Israel — infraestruturas consideradas civis e sem função militar direta.
A divulgação ocorre um dia após o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmar publicamente que a Rússia forneceu a Teerã inteligência por satélite sobre “mais de 50” (entre 50 e 53) instalações do sistema energético israelense. Zelensky classificou os alvos como puramente civis e denunciou o apoio russo como forma de auxiliar o Irã em ataques contra Israel.
O episódio se insere no contexto de uma parceria cada vez mais estreita entre Rússia e Irã. Desde o início da guerra em larga escala contra a Ucrânia, Teerã tem fornecido a Moscou drones Shahed e mísseis balísticos, enquanto Moscou oferece em troca tecnologia avançada, treinamento e, agora, inteligência de satélite. Autoridades ocidentais e ucranianas veem essa troca como parte de uma aliança pragmática que amplia o alcance de ambos os países em diferentes teatros de conflito.
Para Israel, o risco é concreto: o país já enfrentou ondas de ataques iranianos diretos nos últimos meses, com impactos em infraestruturas energéticas. A vulnerabilidade do setor elétrico israelense — que depende de uma rede relativamente concentrada — transforma esses alvos em pontos sensíveis para eventuais operações de retaliação ou dissuasão.
A notícia surge enquanto o conflito Israel-Irã continua em curso, com ambos os lados priorizando o enfraquecimento da capacidade energética do adversário. Analistas observam que o repasse de inteligência russa pode ser interpretado como resposta indireta ao apoio ocidental a Kiev e como forma de abrir uma nova frente de pressão contra o aliado americano de Israel.
Até o momento, nem o governo israelense nem o iraniano comentaram oficialmente a reportagem do Jerusalem Post.
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