Brasília, 17 de abril de 2026 – O governo dos Estados Unidos enviou um recado claro e direto ao coração do sistema financeiro brasileiro: a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) está avançando, mesmo diante da forte resistência de Brasília.
A comunicação ocorreu em reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Representantes americanos informaram que Washington caminha para oficializar a designação, o que abriria caminho para uma ofensiva mais dura de bloqueio financeiro contra as duas facções. O objetivo declarado é restringir o acesso das organizações ao sistema bancário internacional, congelar ativos e proibir qualquer tipo de apoio material sob jurisdição norte-americana.
De acordo com fontes diplomáticas, o Departamento de Estado já concluiu a etapa técnica da análise. A documentação está pronta e depende agora apenas da aprovação política final em alto escalão para ser enviada ao Congresso americano e publicada no Registro Federal. Embora não haja data oficial para o anúncio, o processo é considerado em fase avançada.
Pressão política e reações em Brasília
A discussão ganhou novo fôlego em março, após revelação do The New York Times de que os deputados Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro atuaram diretamente junto a integrantes da administração Trump para defender a medida. O lobby ajudou a manter o tema vivo dentro do governo americano.
O promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao PCC no Ministério Público de São Paulo, também participou de conversas com assessores de Marco Rubio. Ele defende que as facções devem continuar sendo tratadas como organizações criminosas mafiosas, e não como grupos terroristas.
O governo Lula reagiu com intensidade. O chanceler Mauro Vieira manteve contato direto com o secretário de Estado Marco Rubio para reforçar a posição brasileira: o Brasil enquadra o PCC e o CV pela Lei das Organizações Criminosas (12.850/2013) e rejeita a caracterização como entidades terroristas, que exige motivação política ou ideológica.
Contexto maior da estratégia americana
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os EUA têm ampliado o uso da lista de Organizações Terroristas Estrangeiras para combater grupos criminosos da América Latina, incluindo vários cartéis mexicanos e o venezuelano Tren de Aragua.
No caso brasileiro, as autoridades americanas enxergam o PCC e o CV como ameaças relevantes à segurança regional, especialmente pelo controle do narcotráfico internacional e pela sofisticação na lavagem de dinheiro.
Impactos possíveis
Se confirmada, a classificação não altera automaticamente a legislação brasileira, mas pode gerar impactos práticos significativos:
- Maior dificuldade para movimentações financeiras internacionais.
- Risco de sanções secundárias a instituições que mantenham relações indiretas.
- Fortalecimento de mecanismos de inteligência e extradição.
Especialistas em relações Brasil-EUA alertam que a medida pode tensionar ainda mais a agenda bilateral, em um momento já marcado por outros pontos de atrito. O governo brasileiro insiste que o enfrentamento ao crime organizado deve priorizar cooperação policial e troca de inteligência, em vez de decisões unilaterais vindas de fora.
Conclusão
O tema segue monitorado de perto tanto em Brasília quanto em Washington, com potencial para gerar desdobramentos diplomáticos e econômicos nas próximas semanas.
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