Washington/Pequim, 16 de março de 2026 – O presidente Donald Trump elevou o tom da pressão diplomática sobre a China ao condicionar a realização da cúpula bilateral marcada para o final de março em Pequim.
Em entrevista exclusiva ao Financial Times publicada neste domingo (15), Trump afirmou que pode adiar o encontro com Xi Jinping caso Pequim não contribua para reabrir o Estreito de Ormuz, via marítima bloqueada de fato pelo Irã em retaliação à guerra em curso com Estados Unidos e Israel.
Declarações de Trump
“É apropriado que os países beneficiários do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, declarou Trump, destacando que a China obtém cerca de 90% de seu petróleo por essa rota.“Gostaríamos de saber a posição de Pequim antes da cúpula. Esperar até a viagem seria tarde demais. Podemos adiar”, completou, sem fixar prazo.
Situação no Estreito de Ormuz
- O ultimato chega no 16º dia do conflito.
- O Irã mantém o tráfego reduzido em até 97%, ameaçando atacar qualquer navio não coordenado.
- A via responde por 20% do petróleo mundial, vital para importadores asiáticos.
- Trump já cobrou publicamente que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios de guerra para patrulhar a região.
Negociações e Diplomacia
- Conversas preparatórias entre o secretário do Tesouro americano Scott Bessent e o vice-premier chinês He Lifeng prosseguem em Paris.
- O tema Ormuz não estava na agenda inicial, mas agora pode complicar o clima da visita de Trump a Pequim (31 de março a 2 de abril).
- Pequim reagiu com cautela: a embaixada chinesa nos EUA afirmou que “todas as partes têm responsabilidade de garantir suprimento estável de energia” e que o país “fortalecerá a comunicação com os envolvidos para promover desescalada”.
Impacto Econômico
- Preços do Brent dispararam desde o início da crise.
- Cadeias de suprimento na Ásia e Europa já sentem os efeitos.
- Trump alertou a OTAN de um “futuro muito ruim” caso aliados europeus não enviem forças navais.
Análise
Especialistas avaliam que a estratégia de Trump busca dividir custos da segurança energética, explorando a dependência chinesa do Golfo.
Um adiamento da cúpula pode reacender tensões comerciais e atrasar avanços em temas como tarifas e tecnologia.
Até o momento, não há resposta oficial de Xi Jinping ou do Ministério das Relações Exteriores chinês sobre possível reagendamento.
Cenário em Aberto
- O bloqueio iraniano persiste como ferramenta de pressão.
- Washington prepara coalizão naval e ameaça novos strikes em instalações como a ilha de Kharg.
- O desfecho dependerá da resposta de Pequim nos próximos dias — e pode definir não só o futuro do estreito, mas também o rumo das relações EUA-China em 2026.
Fontes Principais
Financial Times, Bloomberg, CNBC, Nikkei Asia e Al Jazeera.
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