Apesar de condenar ataques de EUA e Israel, Moscou fornece dados de inteligência ao regime iraniano, mas evita intervenção militar direta em meio à guerra que já dura mais de uma semana.
Desde o início da guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026 com ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel — que resultaram na morte do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia —, a Rússia tem se posicionado como uma aliada estratégica de Teerã, mas de forma calculada e majoritariamente indireta.
De acordo com fontes de inteligência citadas pelo The Washington Post nesta quinta-feira (6), a Rússia está fornecendo ao Irã informações de inteligência para localizar e atacar alvos militares americanos na região. Isso inclui posições de navios de guerra, aeronaves e instalações dos EUA no Oriente Médio. Autoridades americanas descrevem o apoio como "bastante abrangente", permitindo que o Irã realize retaliações mais precisas contra forças dos EUA no Golfo Pérsico, Iraque, Arábia Saudita e outros países.
Parceria estratégica
A parceria entre Moscou e Teerã ganhou força com o tratado de parceria estratégica abrangente assinado em janeiro de 2025, que cobre cooperação militar, econômica, política e de defesa — sem, porém, prever defesa mútua automática em caso de ataque, como ocorre na OTAN.
Histórico de cooperação mútua
- O Irã tem sido fornecedor chave de drones Shahed e mísseis para a Rússia na guerra da Ucrânia.
- Em troca, Moscou ajudou com tecnologia militar, financiamento para programas de mísseis e nucleares iranianos, e sistemas de defesa aérea.
- Em fevereiro de 2026, o Financial Times revelou um acordo secreto para envio de milhares de sistemas portáteis de defesa aérea Verba (Manpads) ao Irã, no valor de cerca de 500 milhões de euros, para reconstruir defesas antiaéreas danificadas em conflitos anteriores.
Condenações fortes, mas sem ação direta
O Kremlin condenou veementemente os ataques: o porta-voz Dmitry Peskov e a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, chamaram a ofensiva de "agressão armada não provocada" e "pretexto falso" para mudança de regime.
Vladimir Putin classificou a morte de Khamenei como "assassinato cínico" e ofereceu usar os laços russos com o Irã para mediar a restauração da calma, em conversas com líderes do Golfo (Emirados Árabes, Catar e Barein).
No entanto, na quarta-feira (5), Peskov afirmou explicitamente que o Irã não pediu ajuda militar à Rússia desde o início dos ataques, e Moscou não sinalizou envio de tropas ou intervenção aberta.
Analistas apontam que Putin prioriza a guerra na Ucrânia e evita confronto direto com os EUA e Israel, deixando o Irã "bastante isolado" em termos de apoio militar explícito. A Rússia se beneficia indiretamente do conflito: a escalada no Oriente Médio eleva preços do petróleo, ajudando a economia russa sob sanções.
Perspectiva atual
A guerra entra em sua segunda semana com o Irã ampliando ataques retaliatórios via drones e mísseis balísticos contra bases americanas e aliadas no Golfo. Enquanto isso, a Rússia continua como parceira nos bastidores: inteligência, diplomacia e suprimentos seletivos, sem escalar para confronto aberto.
A aliança Rússia-Irã é real e profunda, mas limitada por interesses pragmáticos. Até o momento, Moscou ajuda Teerã a resistir — mas não a vencer.
Fontes principais
The Washington Post, Reuters, CNN Brasil, Financial Times, Al Jazeera e declarações oficiais do Kremlin.
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