Tiroteio em Águas Cubanas: Lancha da Flórida Vira Alvo Mortal e Cria Crise Diplomática

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Roberto Farias
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HAVANA / MIAMI – Um confronto armado ocorrido na manhã desta quarta-feira (25 de fevereiro de 2026) em águas territoriais cubanas deixou pelo menos quatro mortos e seis feridos a bordo de uma lancha rápida registrada no estado da Flórida, Estados Unidos. O Ministério do Interior de Cuba (Minint) divulgou comunicado oficial classificando o episódio como resposta legítima a uma violação de soberania e a um ataque armado contra suas forças.

Segundo a versão cubana, a embarcação – matrícula FL7726SH – foi detectada por volta das primeiras horas do dia a cerca de uma milha náutica (1,85 km) ao nordeste do canalizo El Pino, próximo a Cayo Falcones, município de Corralillo, província de Villa Clara. Uma unidade das Tropas Guardafronteras, composta por cinco agentes, aproximou-se para realizar a identificação e ordenar a parada. O Minint afirma que os ocupantes da lancha abriram fogo primeiro, ferindo gravemente o comandante da patrulha. Em resposta, os guardas revidaram, resultando na morte de quatro pessoas e ferimentos em outras seis, que receberam atendimento médico imediato. O oficial cubano também foi socorrido.

O governo cubano descreveu os ocupantes como “agressores estrangeiros” e vinculou o incidente a padrões recorrentes de violações marítimas, frequentemente associadas a tráfico humano, contrabando ou migração irregular. A nota oficial enfatiza que a ação foi de autodefesa e defesa da soberania nacional.

Nos Estados Unidos, o episódio gerou reações imediatas. Congressistas da Flórida, como Carlos Giménez e María Elvira Salazar, condenaram o que chamaram de “massacre” e pediram investigação urgente pela Guarda Costeira e pelo Departamento de Estado. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, questionou a narrativa cubana, afirmando que “há muitas dúvidas sobre quem iniciou o tiroteio e qual era o real propósito da embarcação”. Fontes citadas pelo The New York Times sugerem que a lancha poderia integrar uma flotilha privada organizada para resgatar familiares de Cuba, prática comum na diáspora cubano-americana, mas sem confirmação oficial.

Até o momento, não há identificação pública das vítimas ou dos feridos, nem confirmação independente sobre a nacionalidade dos ocupantes, embora a matrícula americana levante suspeitas de envolvimento de cidadãos ou residentes dos EUA. A Guarda Costeira ainda não divulgou comunicado detalhado, mas fontes em Washington indicam que o caso está sob monitoramento devido ao momento delicado das relações bilaterais.

O incidente ocorre em meio ao aumento de travessias marítimas irregulares entre Flórida e Cuba, impulsionadas pela crise econômica na ilha e restrições a rotas aéreas. Especialistas alertam que episódios como esse podem escalar se não houver canais de comunicação eficazes entre os dois países.

As investigações seguem em andamento, com expectativa de mais detalhes nas próximas horas, incluindo possível participação de peritos internacionais e liberação de imagens ou evidências balísticas.



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