Pela primeira vez em mais de meio século, Estados Unidos e Rússia estão sem qualquer tratado em vigor que limite seus arsenais estratégicos. O New START, último acordo de controle nuclear entre as duas potências, expirou em fevereiro de 2026 sem renovação, abrindo espaço para uma fase marcada por incertezas e riscos de corrida armamentista.
Assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitri Medvedev, o tratado estabelecia um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas para cada país, além de restringir o número de mísseis balísticos intercontinentais, submarinos lançadores e bombardeiros pesados. Mais do que números, o acordo garantia mecanismos de inspeção e verificação mútua, fundamentais para a transparência e a confiança entre os dois lados.
Com o fim do New START, esses limites desaparecem. Washington e Moscou agora podem expandir livremente seus arsenais, sem qualquer obrigação de informar ou permitir inspeções. Especialistas alertam que o vazio regulatório pode estimular uma nova corrida nuclear, em um cenário já tensionado por conflitos geopolíticos e pela ascensão da China como potência militar.
Tentativas de prorrogar o tratado por alguns meses fracassaram diante da deterioração das relações bilaterais. A ausência de diálogo e a falta de confiança mútua inviabilizaram qualquer consenso. O resultado é histórico: desde os anos 1970, sempre houve algum acordo em vigor para limitar o poder nuclear das duas maiores potências. Agora, o mundo entra em uma fase de maior instabilidade estratégica.
O impacto vai além da rivalidade entre EUA e Rússia. Sem limites claros, outros países podem acelerar seus programas nucleares, ampliando o risco de proliferação e tornando o cenário global ainda mais imprevisível. O fim do New START não é apenas o colapso de um tratado: é o colapso de um sistema de segurança internacional construído ao longo de décadas.
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