Reajuste bilionário no Congresso: privilégio que pesa no bolso do contribuinte

TimeCras
Roberto Farias
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O Congresso Nacional aprovou, em fevereiro de 2026, um reajuste para servidores da Câmara e do Senado que terá impacto de R$ 790,4 milhões já no próximo ano. A decisão, tomada em votação simbólica, inclui aumentos salariais anuais entre 8% e 9,25% até 2029 e gratificações que podem chegar a 100% do salário-base, ampliando significativamente a remuneração de um grupo restrito de servidores.


Na prática, isso significa que alguns salários poderão ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo, hoje vinculado ao vencimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O risco jurídico e fiscal é evidente: além de pressionar as contas públicas, a medida pode gerar questionamentos legais e abrir brechas para disputas judiciais.


Enquanto isso, o Executivo federal prevê gastar R$ 4,3 bilhões em 2026 com reajustes de 5% e a criação de 17,5 mil novos cargos em áreas como Educação e Gestão. Embora o impacto seja maior em valores absolutos, ele se distribui entre milhares de servidores e está vinculado a políticas de expansão de serviços públicos. No Legislativo, os benefícios concentram-se em poucos servidores, com aumentos muito mais agressivos e gratificações que dobram salários.


O contraste é gritante: de um lado, o Executivo tenta equilibrar reajustes com expansão de serviços essenciais; de outro, o Congresso aprova aumentos generosos para si próprio, sem debate público e em meio a um cenário de restrição fiscal. A medida reforça a percepção de que o Legislativo vive em uma bolha de privilégios, desconectada da realidade da maioria da população.


Em um país que enfrenta cortes em saúde, educação e infraestrutura, a aprovação de um reajuste bilionário para servidores do Congresso é mais do que uma questão contábil — é um símbolo da distância entre representantes e representados. O “pacote de bondades” aprovado pelo Legislativo mostra que, quando se trata de defender seus próprios interesses, o Congresso não conhece crise.


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