Tremor foi registrado no norte da região chinesa e ocorreu um dia após o desastre provocado pelo colapso de uma geleira na fronteira entre Nepal e Tibete
Um terremoto de magnitude 5,0 atingiu a região do Tibete, na China, nesta quinta-feira (27). O tremor foi registrado pelo Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) e ocorreu a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade.
Segundo a Reuters, o terremoto aconteceu no norte do Tibete, a centenas de quilômetros da área atingida pelo devastador desastre ocorrido na fronteira entre Nepal e China. Até o momento, não havia registro imediato de vítimas ou grandes danos provocados pelo novo tremor.
Terremoto não provocou as enchentes
A ocorrência do terremoto chama atenção porque aconteceu apenas um dia depois de uma das mais graves catástrofes registradas na região do Himalaia.
No entanto, não há evidência de que o terremoto de magnitude 5,0 desta quinta-feira tenha provocado as enchentes na fronteira entre Nepal e Tibete. Os dois acontecimentos ocorreram em áreas diferentes.
O desastre de quarta-feira (26) foi desencadeado por um colapso de gelo e rochas em uma área glacial, que provocou uma enorme avalanche e um fluxo de detritos. A massa de água, lama, gelo e pedras avançou pelos vales e atingiu comunidades, estradas, pontes e outras estruturas.
O USGS inicialmente registrou um sinal sísmico associado ao desastre, mas posteriormente esclareceu que esse sinal estava relacionado ao próprio colapso glacial e ao movimento de grandes volumes de gelo e rocha, e não a um terremoto tectônico convencional.
Região ainda enfrenta uma emergência
Enquanto o novo tremor era registrado no Tibete, equipes de emergência continuavam as operações de busca e resgate após as enchentes.
A situação humanitária permanece grave. A Reuters informou nesta quinta-feira que pelo menos 359 pessoas haviam morrido e quase mil permaneciam desaparecidas em Nepal e Tibete.
Dados divulgados posteriormente indicaram uma atualização ainda mais grave: a Associated Press informou que o número de mortos havia ultrapassado 390 pessoas, enquanto mais de 1.400 continuavam desaparecidas. No Nepal, eram pelo menos 389 mortos e 910 desaparecidos; no Tibete, três mortes e 558 desaparecidos haviam sido confirmados.
As equipes de resgate enfrentam dificuldades devido à destruição de estradas e pontes. Helicópteros estão sendo utilizados para localizar sobreviventes e levar ajuda às áreas isoladas.
Risco de novas inundações
Além da destruição já provocada pela avalanche e pelas enchentes, autoridades acompanham o risco de novos alagamentos.
O acúmulo de água em áreas represadas na região pode provocar novos fluxos de água e detritos caso estruturas naturais sejam rompidas. Por isso, comunidades localizadas próximas aos rios permanecem sob atenção das autoridades.
O desastre também reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade do Himalaia diante do rápido processo de transformação das geleiras. Cientistas investigam como o aquecimento da região pode contribuir para a instabilidade de gelo e encostas, aumentando o risco de avalanches, deslizamentos e inundações repentinas.
Dois fenômenos diferentes em uma região altamente instável
O terremoto de magnitude 5,0 registrado nesta quinta-feira e o desastre glacial ocorrido na quarta-feira devem ser tratados como eventos distintos.
O primeiro foi um tremor sísmico registrado no norte do Tibete. O segundo foi um fenômeno associado ao colapso de gelo e rochas que desencadeou uma avalanche e uma devastadora onda de detritos.
Apesar da proximidade temporal, não há confirmação de que o terremoto desta quinta-feira tenha relação causal com a tragédia das enchentes.
As buscas por desaparecidos e o monitoramento das áreas de risco continuam, enquanto autoridades do Nepal e da China tentam impedir que novos deslizamentos ou rompimentos de áreas represadas provoquem uma segunda onda de destruição.
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