Vídeo de moradores registra detonação durante a madrugada; unidade armazenava cerca de 2 milhões de litros de inflamáveis e área segue isolada
Um vídeo captado por moradores de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, registra o instante em que uma nova explosão atingiu a fábrica Quema Química na madrugada desta quarta-feira (5). A detonação produziu uma bola de fogo de grandes proporções que iluminou o céu da região do Rio Abaixo e elevou a tensão em torno do incêndio iniciado na tarde de terça-feira (4). Até o momento, não há registro de vítimas fatais.
A unidade, situada na Estrada do Bonsucesso, especializa-se na produção e comercialização de solventes e resinas à base de poliéster. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o local armazenava cerca de 2 milhões de litros de produtos altamente inflamáveis — entre eles tolueno, hexano, álcool etílico, acetato de etila, acetato de butila e resinas. A empresa mantinha 24 tanques com capacidade aproximada de 30 mil litros cada, além de tanques menores, tambores e recipientes do tipo IBC. A fábrica, a mais antiga da companhia e em operação desde 2002, foi praticamente destruída pelas chamas.
O fogo começou por volta das 15h22 de terça-feira. O Corpo de Bombeiros mobilizou cerca de 80 agentes e aproximadamente 30 viaturas. A Defesa Civil isolou a área e evacuou fábricas vizinhas. A Prefeitura determinou o corte de energia elétrica no entorno, realizado pela concessionária, e enviou caminhões-pipa para reforçar o combate. Cerca de 200 moradores das proximidades foram encaminhados a abrigos de forma preventiva.
Imagens circuladas nas redes sociais mostram a bola de fogo e uma densa coluna de fumaça com formato semelhante a um cogumelo, resultante da combustão dos vapores químicos. A força das explosões, inclusive durante a madrugada, fez com que tampas de bueiros se rompessem e liberassem fumaça em ruas próximas. Gases inflamáveis penetraram na rede de drenagem, provocando detonções subterrâneas em diversos pontos. O prefeito Eduardo Boigues descreveu a situação como uma “cena de guerra”, com mais de dez bueiros atingidos. Uma pessoa foi arremessada pelo impacto de uma dessas explosões e sofreu ferimentos no braço e na cabeça, sem gravidade maior registrada.
O episódio gera preocupações em várias frentes. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) acompanha a possível liberação de vapores tóxicos e seus efeitos sobre o ar e o solo. Moradores relatam medo e insegurança diante da proximidade das explosões e da fumaça intensa. A destruição da unidade mais antiga da empresa aponta para impactos econômicos locais, inclusive sobre empregos. O isolamento da área e o corte de energia interromperam atividades em indústrias vizinhas.
Na manhã de quarta-feira, o Corpo de Bombeiros informou que o fogo estava controlado, mas ainda havia focos internos e a necessidade de resfriar tanques que não haviam sido atingidos. O prefeito alertou para risco residual de novas explosões, embora em patamar inferior ao da madrugada. Alertas falsos sobre contaminação da água potável foram desmentidos pela Sabesp e pela Prefeitura, que afirmaram não haver risco ao abastecimento.
Casos de explosões em instalações que armazenam grandes volumes de produtos inflamáveis não são inéditos no Brasil e evidenciam a importância de protocolos rigorosos de segurança, fiscalização contínua e planos de contingência eficazes. O episódio de Itaquaquecetuba, em que a empresa possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido, reforça a necessidade de monitoramento permanente da qualidade do ar e de medidas que reduzam a exposição de comunidades próximas a polos industriais.
Enquanto as equipes de bombeiros e da Defesa Civil permanecem no local para eliminar os focos restantes e resfriar os tanques, autoridades ambientais e municipais avaliam os danos e as próximas ações. A causa do incêndio ainda está sob apuração.
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