Washington, 3 de junho de 2026 – Em mais um capítulo da longa e turbulenta relação entre o presidente Donald Trump e a imprensa, o mandatário lançou um ataque pessoal direto à correspondente-chefe da CNN na Casa Branca, Kaitlan Collins, durante uma coletiva improvisada no Salão Oval nesta quarta-feira.
Enquanto respondia a perguntas sobre o controverso “Fundo Anti-Weaponização” do Departamento de Justiça — um fundo de cerca de US$ 1,776 bilhão destinado a compensar supostas vítimas de “armação” federal pelo governo anterior —, Trump desviou o foco ao avistar Collins. Sem ser diretamente questionado sobre ela, o presidente disparou:
“A CNN é uma organização muito corrupta, com uma repórter corrupta bem ali. Nunca sorri.”
Em seguida, Trump prosseguiu com um comentário que rapidamente viralizou:
“Você nunca vê uma mulher jovem e bonita que nunca sorri. Eu nunca vejo um sorriso no rosto dela. Eu a vejo ali parada com tanto ódio nos olhos. Como se ela tivesse ódio porque temos fronteiras, porque temos um exército forte, porque cortamos impostos, porque fizemos as coisas que todo mundo queria e, depois, vencemos a eleição em um landslide massivo.”
O momento ocorreu por volta das 16h15 (horário de Washington), enquanto repórteres lotavam o Salão Oval. Collins, de 34 anos, natural do Alabama e com passagem anterior pelo site conservador Daily Caller, mantinha-se de pé, como de costume, cumprindo seu papel de questionar o presidente sobre temas de interesse público.
O fundo em questão, que Trump defendeu como “uma coisa linda”, enfrentou forte resistência bipartidária no Congresso e foi temporariamente suspenso por um juiz na semana anterior, gerando acusações de que poderia se tornar um “fundo de distribuição” para aliados políticos.
Histórico de Confrontos
Não é a primeira vez que Collins se torna alvo de Trump. Desde o primeiro mandato, a jornalista acumula episódios marcantes:
- Em 2018, foi proibida de participar de um evento na Casa Branca após uma troca tensa.
- Em fevereiro deste ano, Trump já havia criticado Collins por “nunca sorrir” enquanto ela perguntava sobre os arquivos de Jeffrey Epstein. Na ocasião, a repórter respondeu posteriormente em programa de TV: “Você não deve sorrir ao perguntar sobre um traficante sexual e vítimas de abuso.”
Desta vez, o ataque combinou elementos recorrentes do estilo de Trump — críticas à “fake news”, acusações de corrupção contra veículos específicos e comentários pessoais sobre aparência e comportamento — com o contexto de um tema sensível para sua administração.
Reações e Divisões
A fala gerou imediata polarização:
- Apoiadores celebraram o momento nas redes sociais, interpretando-o como uma resposta enérgica ao que veem como viés hostil da CNN.
- Críticos condenaram o tom como sexista e desqualificador, argumentando que reduz uma profissional experiente a atributos pessoais irrelevantes para o exercício do jornalismo.
Collins, conhecida por seu estilo direto e persistente, não respondeu publicamente no momento, mantendo o foco em seu trabalho. A CNN ainda não emitiu declaração oficial sobre o incidente até o fechamento desta matéria.
O episódio reforça um padrão mais amplo na segunda administração Trump: o presidente continua tratando a sala de imprensa como um campo de batalha, onde perguntas incômodas são frequentemente respondidas com contra-ataques pessoais. Enquanto isso, Kaitlan Collins segue na linha de frente, representando uma das principais vozes da cobertura diária da Casa Branca para uma das maiores redes de notícias do mundo.
Em um ambiente político cada vez mais polarizado, momentos como este não apenas alimentam o ciclo noticioso 24 horas, mas também levantam questões permanentes sobre os limites entre crítica legítima à imprensa e ataques pessoais que podem intimidar o exercício do jornalismo.
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