Teerã contesta e mantém posição dura sobre soberania e sanções
23 de maio de 2026 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado que um acordo de paz com o Irã está “largamente negociado” e que a reabertura completa do Estreito de Ormuz faz parte do entendimento. A declaração, feita via Truth Social e reforçada em entrevistas, gerou otimismo em mercados globais, mas encontrou resistência imediata por parte de Teerã.
Trump afirmou ter conversado com líderes de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, além de uma “conversa muito boa” com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Segundo ele, os últimos detalhes estão sendo finalizados e um anúncio deve ocorrer em breve.
“Um acordo foi amplamente negociado entre os Estados Unidos, a República Islâmica do Irã e vários outros países. Os aspectos finais estão sendo discutidos e serão anunciados em breve. Além de muitos outros elementos, o Estreito de Ormuz será aberto”, escreveu Trump.
O Estreito de Ormuz
Por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial, o estreito está no centro da crise desde o início do conflito em fevereiro de 2026. O Irã restringiu o tráfego marítimo em retaliação aos ataques aéreos americano-israelenses, o que elevou os preços globais de energia.
Divergências persistem
Apesar do tom otimista de Trump, o Irã mantém posição firme sobre pontos considerados inegociáveis. Fontes iranianas afirmam que o país não abrirá mão da soberania sobre o Estreito de Ormuz, inclusive com possibilidade de cobrar taxas de passagem, e exige o fim total das sanções americanas, a liberação de ativos congelados e reparações por danos da guerra.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, indicou que as declarações de Trump “não refletem totalmente a realidade das negociações”. O Irã continua revisando as propostas americanas, mediadas principalmente pelo Paquistão, mas rejeita qualquer desmantelamento completo de seu programa nuclear.
Contexto da crise
O conflito atual eclodiu após ataques americanos e israelenses contra instalações nucleares e militares iranianas no final de fevereiro. Desde então, o Irã impôs restrições no Ormuz, enquanto os EUA mantiveram um bloqueio naval aos portos iranianos. Um cessar-fogo frágil foi estabelecido em abril, mas violências pontuais e divergências profundas impediram uma paz duradoura.
Para Trump, o acordo representaria uma vitória diplomática importante, com potencial redução nos preços do petróleo e alívio para a economia global. Para o Irã, trata-se de resistir a pressões externas sem abrir mão de sua autonomia estratégica na região.
Analistas avaliam que, embora haja avanço em alguns pontos, as diferenças sobre o programa nuclear iraniano e o controle do Ormuz ainda são significativas. Os próximos dias serão decisivos para saber se o otimismo de Trump se concretizará ou se as negociações entrarão em nova fase de impasse.
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