STF decreta prisão preventiva de Ricardo Magro e inclui dono da Refit na Difusão Vermelha da Interpol

TimeCras
Roberto Farias
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Operação Sem Refino, deflagrada pela PF nesta sexta-feira, investiga esquema bilionário de fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e evasão de divisas no setor de combustíveis; bloqueio de R$ 52 bilhões e buscas contra ex-governador Cláudio Castro.


Brasília, 15 de maio de 2026 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do empresário e advogado Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, responsável pela antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Como o empresário reside em Miami, nos Estados Unidos, a Corte ordenou sua inclusão imediata na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que facilita a localização e prisão internacional de foragidos.

Operação Sem Refino

A medida integra a Operação Sem Refino, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal com apoio da Receita Federal. A ação cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. Além de Magro, a operação mira o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que foi alvo de buscas em sua residência na Barra da Tijuca.

Escala bilionária das investigações

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros do conglomerado e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Segundo a PF, o Grupo Refit teria montado uma sofisticada estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular bens e promover a evasão de recursos ao exterior. O grupo é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores contumazes do país, com débitos tributários superiores a R$ 26 bilhões.

As apurações indicam fraudes no setor de combustíveis, com possível envolvimento de agentes públicos. A investigação corre no âmbito da ADPF 635 (conhecida como ADPF das Favelas), que examina a atuação de organizações criminosas e suas eventuais conexões com o poder público no Rio de Janeiro.

Quem é Ricardo Magro

Advogado de formação, Ricardo Magro assumiu o controle da Refinaria de Manguinhos em 2008. Ele vive nos Estados Unidos desde a década passada, especialmente em Miami. Seu nome já apareceu em outras operações policiais, como a “Recomeço”, em 2016, quando foi preso temporariamente. Magro também foi citado em investigações envolvendo offshores e supostas irregularidades em fundos de pensão.

A permanência do empresário no exterior tem sido tema de discussões diplomáticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tratou diretamente com o presidente americano Donald Trump sobre a cooperação para a extradição de foragidos brasileiros, citando explicitamente o caso de Magro.

Impacto e próximos passos

O bloqueio de R$ 52 bilhões representa um dos maiores valores já determinados em uma única operação no país e pode paralisar temporariamente as atividades do grupo. A defesa de Ricardo Magro ainda não se manifestou publicamente. A PF e o STF não detalharam o teor exato das provas coletadas até o momento.

A inclusão na lista vermelha da Interpol eleva significativamente a pressão sobre o empresário. Caso seja preso no exterior, inicia-se um processo de extradição que tende a ser longo e complexo, dependendo da cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

A operação reforça o foco das autoridades no combate a crimes financeiros de colarinho branco, especialmente aqueles que envolvem grandes conglomerados econômicos e possíveis interfaces com o poder público. A investigação segue em sigilo, com expectativa de novas fases nos próximos meses.


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