Kiev, Ucrânia — A Rússia elevou o tom das hostilidades nesta segunda-feira (25) ao anunciar uma série de “ataques sistemáticos” contra instalações militares e industriais de defesa localizadas na capital ucraniana. Pela primeira vez desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, o governo russo fez um apelo direto para que cidadãos estrangeiros, incluindo diplomatas e funcionários de organizações internacionais, deixem Kiev imediatamente.
O comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, informa que os alvos incluirão centros de comando, postos de decisão e locais de produção, programação e preparação de drones ucranianos. “Instalações desse tipo estão espalhadas por toda Kiev”, diz o texto, que orienta ainda os moradores da cidade a se afastarem de prédios governamentais e militares.
O alerta surge um dia após um dos ataques mais pesados recentes contra território ucraniano, no qual a Rússia utilizou o míssil balístico intermediário Oreshnik. Autoridades ucranianas relatam que o conflito tem registrado intensificação nos últimos dias, com retaliações mútuas. Do lado russo, o gatilho mencionado é um ataque ucraniano com drones contra uma instalação em Starobilsk, na região ocupada de Luhansk, que resultou em dezenas de mortes, segundo Moscou — incluindo estudantes em um colégio pedagógico.
Contexto de uma guerra que não dá sinais de trégua
Este é o segundo alerta significativo emitido pela Rússia em menos de um mês. Em maio, antes das celebrações do Dia da Vitória (9 de maio), Moscou já havia orientado embaixadas estrangeiras a prepararem a evacuação de pessoal, temendo ações ucranianas contra o desfile em Moscou. Na ocasião, a maioria das missões diplomáticas optou por permanecer em Kiev.
Desta vez, o tom é mais amplo e explícito. O Ministério da Defesa russo reforça que os ataques serão direcionados a alvos militares, mas o impacto em uma cidade densamente povoada como Kiev sempre traz o risco de danos colaterais e interrupções na vida civil.
Do lado ucraniano, autoridades tentam transmitir normalidade. Até o momento, não há registro de evacuação em massa de diplomatas, e a cidade continua funcionando, embora com o constante risco de sirenes antiaéreas e explosões noturnas. Analistas veem o comunicado russo como uma combinação de preparação real para novos bombardeios e pressão psicológica sobre Kiev e seus apoiadores ocidentais.
A escalada ocorre em um momento de desgaste mútuo. A Ucrânia tem intensificado o uso de drones de longo alcance contra território russo e áreas ocupadas, enquanto a Rússia mantém superioridade em mísseis, artilharia e poder aéreo. Ambos os lados relatam baixas significativas, mas nenhum dá indícios de disposição para negociações concretas.
Enquanto o alerta russo circula nas chancelarias internacionais, observadores acompanham se haverá movimentação real das embaixadas. Qualquer retirada em massa de diplomatas seria interpretada como sinal de que uma fase mais agressiva do conflito está prestes a começar na capital ucraniana.
A situação permanece fluida. Novos ataques podem ocorrer a qualquer momento, e a população de Kiev, já endurecida por mais de três anos de guerra, se prepara mais uma vez para o pior.
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