Kremlin afirma que Putin está pronto para se encontrar com Zelensky, mas só em etapa final de negociações

TimeCras
Roberto Farias
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Porta-voz Dmitry Peskov afirma que encontro direto só seria útil para selar acordos já negociados e reafirma prontidão russa para dialogar com enviados americanos “mesmo amanhã”


Moscou – 22 de abril de 2026 – O governo russo voltou a afirmar que o presidente Vladimir Putin está aberto a um encontro pessoal com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, condicionou a realização da reunião à etapa final das negociações, quando os principais pontos já tiverem sido discutidos e acordados por equipes de negociadores técnicos.


Em declaração concedida à imprensa russa nesta quarta-feira, Peskov explicou que uma cúpula entre os dois líderes sem preparação prévia não traria resultados concretos. “O encontro só faz sentido quando há o que finalizar. Caso contrário, torna-se apenas um evento midiático sem conteúdo prático”, disse o porta-voz.


Peskov foi além e criticou a postura de Kiev. Segundo ele, o Kremlin não identifica, no momento, “vontade política verdadeira” por parte das autoridades ucranianas para buscar uma solução ao conflito. Ele lembrou que o convite para Zelensky visitar Moscou permanece em aberto, mas reforçou que a reunião deve ocorrer apenas quando houver avanços substantivos em temas centrais, como segurança, neutralidade e questões territoriais.


Prioridade ao canal com Washington

Enquanto mantém reservas sobre um encontro bilateral imediato, o Kremlin demonstrou maior flexibilidade em relação aos Estados Unidos. Peskov declarou que a Rússia está “pronta para receber negociadores americanos mesmo amanhã”, destacando a importância da mediação de Washington no processo atual.

Essa posição reflete a estratégia russa de valorizar o formato trilateral (Rússia, Estados Unidos e Ucrânia) como via mais eficiente para destravar as conversas, especialmente diante da pausa temporária nas rodadas diretas atribuída à agenda sobrecarregada da diplomacia norte-americana.


Impasse que se arrasta

A declaração chega em um momento delicado das negociações indiretas que vêm ocorrendo desde o início de 2026. De um lado, Kiev insiste em pré-condições como cessar-fogo imediato, retirada de tropas russas de territórios ocupados e garantias internacionais de segurança. Do outro, Moscou exige concessões em pontos considerados essenciais para seus interesses estratégicos.


Especialistas em relações internacionais avaliam que o comunicado de Peskov cumpre um papel duplo: projeta uma imagem de abertura diplomática por parte de Putin e, ao mesmo tempo, atribui a Kiev a responsabilidade pelo lento progresso das tratativas.


Até o momento, o governo ucraniano não emitiu resposta oficial às afirmações do porta-voz russo. A guerra, que já dura mais de quatro anos, continua com avanços limitados no campo de batalha e sem perspectiva clara de trégua abrangente no curto prazo.


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