Artemis II: Após 54 anos, a NASA volta ao caminho da Lua com quatro astronautas a bordo

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Roberto Farias
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O foguete mais poderoso já construído pela NASA, o Space Launch System (SLS), rugiu no Launch Complex 39B, no Kennedy Space Center, na Flórida. Pela primeira vez em mais de meio século — desde a Apollo 17 em dezembro de 1972 —, astronautas humanos deixaram a órbita terrestre com destino ao redor da Lua.

A bordo da cápsula Orion seguem quatro tripulantes experientes: o comandante Reid Wiseman (NASA), o piloto Victor Glover (NASA), a especialista de missão Christina Koch (NASA) e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). Juntos, eles iniciaram uma jornada de aproximadamente 10 dias que testará, em condições reais, os sistemas que um dia levarão humanos de volta à superfície lunar.



Diferente das missões Apollo, que tinham como foco principal o pouso, a Artemis II é uma missão de teste em voo tripulado. A Orion não vai aterrissar na Lua. Ela realizará um sobrevoo a cerca de 6.000 milhas (quase 10 mil km) da superfície lunar, passando pelo lado oculto do satélite, antes de retornar à Terra. Durante o trajeto, a tripulação enfrentará níveis elevados de radiação cósmica, períodos de comunicação limitada com a Terra e testes críticos de todos os sistemas de suporte à vida da cápsula.

O que já aconteceu e o que vem pela frente

O lançamento ocorreu sem problemas maiores. Poucas horas após a decolagem, as quatro asas solares da Orion se abriram completamente, garantindo a geração de energia. Nesta quinta-feira (2 de abril), a tripulação e o controle de missão em Houston já aprovaram a queima de injeção translunar (TLI), a manobra decisiva que colocará a espaçonave na trajetória rumo à Lua.

Essa queima deve ocorrer nas próximas horas e marcará o ponto sem volta: uma vez executada, a Orion deixará a órbita terrestre para iniciar a longa viagem de quase 1 milhão de quilômetros.

A missão também tem forte simbolismo. Victor Glover se tornará o primeiro astronauta negro a viajar para o espaço profundo. Christina Koch será a primeira mulher a realizar esse tipo de voo lunar. Jeremy Hansen, por sua vez, é o primeiro não-americano a integrar uma tripulação lunar da NASA.

Por que Artemis II é importante?

Mais do que um voo histórico, a missão serve como ensaio geral para a Artemis III, prevista para levar os próximos humanos à superfície da Lua ainda nesta década. Os dados coletados agora — sobre o desempenho do foguete SLS, a cápsula Orion em ambiente de espaço profundo e a capacidade de sobrevivência da tripulação — serão fundamentais para garantir a segurança das futuras expedições.

Enquanto o mundo acompanha o progresso em tempo real, a tripulação segue realizando verificações de sistemas, incluindo o controverso “banheiro” da Orion, que apresentou pequenos problemas iniciais já resolvidos pela equipe em solo.

A humanidade está, mais uma vez, olhando para a Lua não apenas como um destino distante, mas como o próximo passo concreto na exploração espacial sustentável.


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