Crise no Golfo: Trump mira petróleo iraniano e Kuwait teme colapso hídrico

TimeCras
Roberto Farias
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Washington/Kuwait City, 29 de março de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou de forma explícita que “tomar o controle do petróleo do Irã” é uma opção real em discussão dentro do governo americano. A declaração foi feita na última quinta-feira (26), durante reunião de gabinete na Casa Branca, em meio ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que já dura três semanas e elevou o preço do barril de petróleo acima dos US$ 102.


Trump comparou a situação ao caso da Venezuela, onde, segundo ele, a pressão americana sobre os recursos energéticos teria produzido resultados. “Fizemos isso lá e deu certo”, disse o presidente, sem detalhar como esse modelo seria aplicado ao Irã. A fala ocorre enquanto Washington e Tel Aviv intensificam ofensivas contra instalações iranianas, e Teerã responde com ameaças diretas a infraestruturas críticas dos países do Conselho de Cooperação do Golfo.


Diplomatas da região confirmam que o Irã enviou recados claros aos vizinhos: qualquer ataque americano ou israelense contra usinas de energia iranianas será retaliado com ações contra plantas de dessalinização e termelétricas na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Omã e, especialmente, Kuwait. O país é considerado o ponto mais vulnerável, já que cerca de 90% da água potável consumida pela população vem de sistemas de dessalinização ligados às usinas de energia.


A usina Doha West, uma das maiores do Kuwait, já sofreu interrupções parciais no início do mês após fragmentos de mísseis e drones caírem nas proximidades. Embora o governo evite classificar os episódios como ataques diretos, técnicos da Kuwait Electricity and Water Authority (MEW) relataram danos em sistemas de refrigeração e tubulações. Uma fonte da companhia, sob anonimato, alertou: “Um ataque deliberado a qualquer planta de co-geração transformaria o Kuwait em zona de desastre humanitário em poucas horas”.


O risco é concreto. Em uma região desértica, a dessalinização por osmose reversa e destilação térmica é praticamente a única fonte de água. No Kuwait, as 16 principais plantas produzem cerca de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia. Qualquer paralisação prolongada afetaria imediatamente os 4,8 milhões de habitantes e também as refinarias que processam petróleo para exportação à Ásia e Europa.


Analistas de segurança energética ouvidos pela TimeCras Notícias destacam que o Irã tem capacidade de lançar mísseis de cruzeiro e drones de longo alcance contra alvos costeiros. “O cálculo iraniano é simples: se não podem exportar seu petróleo, vão tornar impossível para os vizinhos produzirem água e energia”, resumiu um especialista do Centro de Estudos Estratégicos do Golfo, em Dubai.


O Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, segue parcialmente bloqueado. O Irã liberou oito petroleiros nos últimos dias como gesto de distensão, mas mantém minas e sistemas de mísseis antinavio. Trump adiou por dez dias o prazo de um ultimato anterior, abrindo espaço para negociações indiretas mediadas por Qatar e Omã. Ainda assim, reforçou que “o Irã implora por um acordo” e que o fim do bloqueio faria o preço do petróleo “despencar”.


A escalada verbal e militar já provoca efeitos globais. Importadores como China, Índia, Japão e Coreia do Sul acompanham com preocupação o risco de interrupção no fornecimento. No Brasil, o impacto aparece na alta dos combustíveis e na pressão sobre a inflação, segundo dados preliminares da Petrobras.


Enquanto Trump insiste na retórica de “paz pela força”, diplomatas europeus e asiáticos tentam articular uma saída negociada que evite o colapso das infraestruturas de água e energia no Golfo. Até agora, nenhuma das partes ultrapassou a linha vermelha de atacar deliberadamente usinas de dessalinização. Mas, como alertou um alto funcionário kuwaitiano, “a margem de erro desapareceu”.


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