Irã Afirma Capacidade para Sustentar Guerra Intensa por Pelo Menos Seis Meses

TimeCras
Roberto Farias
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Porta-voz do IRGC destaca que armas de gerações mais recentes ainda não foram empregadas em larga escala no conflito atual com Israel e Estados Unidos.

O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), brigadeiro-general Ali Mohammad Naeini, declarou que as forças armadas iranianas estão preparadas para manter operações de alta intensidade por pelo menos seis meses no ritmo atual. A afirmação foi feita em pronunciamento transmitido pela televisão estatal e reportada pela agência Fars, em 8 de março de 2026.


Segundo Naeini, o arsenal utilizado até o momento no conflito — que envolve trocas de ataques diretos com Israel e respostas a operações conjuntas israelenses e americanas — consiste principalmente em mísseis e sistemas de primeira e segunda geração, com tecnologias desenvolvidas ou modernizadas entre os anos 1990 e meados da década de 2010. Ele indicou que mísseis e drones de gerações mais recentes, produzidos na última década, ainda não foram empregados em escala significativa.


A declaração ocorre no contexto de uma escalada iniciada em fevereiro de 2026, após ataques aéreos conjuntos de Israel e Estados Unidos que atingiram instalações militares e nucleares iranianas, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outros altos comandantes. Em resposta, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis balísticos e drones contra alvos em Israel e bases americanas na região, incluindo instalações no Golfo Pérsico. Relatos indicam que mais de 200 alvos ligados a interesses dos EUA e Israel foram atingidos, de acordo com fontes iranianas.


Do lado iraniano, autoridades afirmam que a estratégia prioriza o uso inicial de estoques mais antigos e abundantes, preservando capacidades avançadas para fases posteriores do conflito. O porta-voz destacou que o país mantém produção interna ativa e dispersão de lançadores para garantir resiliência em um confronto prolongado.


Fontes ocidentais e israelenses, por outro lado, questionam a sustentabilidade dessa capacidade a longo prazo. Avaliações de inteligência apontam para danos significativos à infraestrutura militar iraniana, incluindo sistemas de defesa aérea, instalações de produção de mísseis e capacidades navais. Além disso, a superioridade aérea combinada de Israel e dos EUA, aliada a operações cibernéticas e interceptores avançados (como Arrow, Patriot e THAAD), tem limitado o impacto de muitos lançamentos iranianos. Analistas observam que o conflito já pressiona a economia iraniana, com interrupções na produção de petróleo e sanções ampliadas.


O conflito regional envolve também atores indiretos, como remanescentes do Hezbollah no Líbano e milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e na Síria, embora o Hezbollah tenha adotado postura cautelosa em alguns momentos. Ataques iranianos atingiram alvos em países do Golfo, enquanto retaliações israelenses focaram em profundidade no território iraniano.


Até o momento, não há indícios de que o confronto tenha escalado para o uso de armas nucleares — o Irã não possui ogivas nucleares confirmadas, e ambos os lados negam intenções nesse sentido. No entanto, a duração prolongada do conflito pode gerar impactos econômicos globais, especialmente no fornecimento de energia via Estreito de Ormuz.


A declaração do IRGC reforça a narrativa oficial iraniana de defesa legítima e capacidade de resistência, enquanto observadores internacionais acompanham de perto os próximos desenvolvimentos para avaliar se o conflito permanecerá contido ou se expandirá ainda mais.


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